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Rodrigo Mattos

Inter e Flamengo redimem Brasileiro nas mãos de técnicos estrangeiros

Domenec Torrent e Eduardo Coudet discutem durante a partida entre Inter e Flamengo - Pedro H. Tesch/AGIF
Domenec Torrent e Eduardo Coudet discutem durante a partida entre Inter e Flamengo Imagem: Pedro H. Tesch/AGIF
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

26/10/2020 04h00

O Flamengo entregou dois gols ao Internacional em saídas de bola. "Ah, tem que quebrar essa bola, não pode vacilar ali", dizem os críticos. Ora, não existem mais bom futebol baseado em chutões sem direção da defesa. Quem não compreendeu isso não sabe por que Internacional e Flamengo fizeram o melhor jogo do Brasileiro por larga vantagem.

De um lado, Coudet armou o seu Inter para pressionar o rival como se não houvesse amanhã durante os 30min, 40min do primeiro tempo. Sufocados, os jogadores rubro-negros começaram a errar passes e o colorado a enfileirar chances de gol.

As duas falhas de Gustavo Henrique e de Isla geraram os tentos do Internacional que lhe deram a vantagem. Poderia ter sido um placar maior com as boas atuações de Patrick e Galhardo, artilheiro do Brasileiro. Pode se dizer que o Flamengo saiu satisfeito de ter apenas um gol atrás no placar.

Note-se que os críticos à saída de bola no chão não mencionam o fato de o mesmo Isla ter iniciado com um passe a jogada do gol de Pedro.

Do outro lado, Dome fez um ajuste no posicionamento de seus jogadores para o segundo tempo. Deslocou Gerson da esquerda, onde iniciara, para o meio, onde atuou passou a atuar de uma área à outra, começando e concluindo jogadas. Vitinho foi para a ponta esquerda em vez da meia onde se saíra bem nos últimos confrontos.

O jogo mudou. É óbvio que o Inter não conseguiria marcar pressão por 90min, mas seu recuo no segundo tempo foi excessivo. Não havia opção de contra-ataque. Não havia toque de bola. O "Footstats" registra 301 passes trocados pelo Flamengo no segundo tempo, e do Inter, 64. Ou seja, o time colorado mal tocava na bola antes de perde-la.

Esse domínio rubro-negro resultou em um cenário de domínio ainda mais contundente do que o colorado antes do intervalo. Especialmente ressaltado pela atuação de jogadores como Pedro e Gerson. O centroavante executou lances de dificuldade técnica considerável: dominava balões com um toque, girava em cima de zagueiros com surpreendente mobilidade, concluía a gol com a facilidade de quem vai na feira pedir um caldo de cana. No meio, Gerson se tornou um regente desses que invejamos nos jogos da Champions League.

Ao final, perdidas as chances que enfileirou, o Flamengo fez apenas mais um gol, já no acréscimos, em uma cabeçada de Everton Ribeiro após um passe de Gerson. Um final deslumbrante para um jogo de futebol como há um tempo não viamos nesta terra brasilis. No total, foram 27 finalizações dos dois times, com vantagem rubro-negra (17 a 10).

Não há como negar a influência de alguns de nossos talentos na qualidade do jogo. Mas a forma como os times se postaram e se organizaram para jogar é mérito das mãos estrangeiras de Coudet e Dome, assim como ocorre no Galo de Sampaoli. Atualmente o Brasileiro é um campeonato mais bem jogado quanto os maestros não são brasileiros. Ou quando não tem ninguém do lado do campo gritando: "Quebra essa bola aí".

Rodrigo Mattos