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Rodrigo Mattos

Como dez anos de gestão explicam a goleada do Flamengo sobre o Corinthians

Jogadores do Flamengo comemoram gol sobre o Corinthians - Daniel Vorley/AGIF
Jogadores do Flamengo comemoram gol sobre o Corinthians Imagem: Daniel Vorley/AGIF
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

19/10/2020 04h00

Em 2011, o Corinthians oficializou que seria o estádio da abertura da Copa e iniciou obras de sua arena pela qual não tinha dinheiro para pagar. Em 2012, o Flamengo decidiu que teria de pagar contas antigas acumuladas e cortar custos. A goleada ocorrida na Neo Química Arena foi uma consequência dessas duas decisões.

Um olhar sobre os dois times de maior torcida do Brasil no início da década passada mostra o quanto as realidades eram distintas do que se vê atualmente. Após o rebaixamento, o Corinthians reformou-se, alavancou receitas, tornou-se o clube mais rico do país e chegou ao título Mundial em 2012 enquanto tocava o grandioso projeto de seu estádio. O Flamengo acabava aquele ano com uma dívida de R$ 750 milhões, segundo auditoria feita pela nova gestão que assumiu em 2013.

A questão é que os títulos e o estádio corintiano foram construídos em cima de uma gestão ruinosa. Sim, o clube ganhou três Brasileiros, uma Libertadores e um Mundial. Mas sua dívida mais do que triplicou fora a conta a se pagar pelo estádio.

A arena, que tem o naming rights vendidos, continua com os pagamentos do financiamento com a Caixa/BNDES interrompidos. É um projeto que nunca se pagou. O principal motivo é que o Corinthians aceitou entrar no caderno de exigências absurdas da Fifa, e do governo de São Paulo e federal, e ignorou os seus próprios interesses. Construiu uma arena além das suas posses e até hoje não resolveu essa situação.

O clube tinha uma dívida líquida atualizada de R$ 256 milhões quando Alberto Dualib deixou o clube à beira do rebaixamento em 2007 (valor atualizado pela inflação). No meio deste semestre de 2020, o total do débito é de R$ 834 milhões. É um resultado de times caros e impostos não pagos por Andrés Sanchez ou por seus aliados que ficaram no poder durante esse período.

Nesta mesma época, o Flamengo foi reduzindo seu débito até que pudesse investir em seu time de forma mais forte em 2015. No meio de 2017, o clube passou a ter uma dívida menor do que a do Corinthians. Agora, em 2020, a dívida do clube carioca gira em torno dos R$ 600 milhões, porém, a receita cresceu de tal forma que o valor se torna sustentável. Um ano de dívida é menor do que um ano de receita.

Há quem diga que o futebol não é banco. Bem, o futebol é também banco como se viu na Arena Neo Química. O Flamengo com um elenco de jogadores caros, contratados graças à reestruturação do clube, passeou no estádio corintiano impondo a maior goleada que o time alvinegro já sofreu em sua casa. O Corinthians, que agora leva para seu time reservas do Atlético-MG, penou.

Não é um acaso. Em jogos nos últimos três anos, o Flamengo já meteu um 4x1 e um 3x0 no time paulista, um como visitante e outro em casa. São seis jogos sem derrotas.

Haverá quem diga que o futebol é cíclico e que no futuro a realidade será diferente. Embora a bola tenha fatores imprevisíveis, nenhuma análise lógica demonstra que o domínio do Flamengo sobre o Corinthians vá mudar nos próximos anos a não ser que o time alvinegro altere a trajetória da sua gestão. Há goleadas que podem ser casuais: não foi o caso do que ocorreu neste domingo.

Rodrigo Mattos