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Rodrigo Mattos

Com SBT e Band na cola, como jogo da seleção foi parar na TV Brasil

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

14/10/2020 17h08

A CBF deixou para última hora para comprar os direitos do jogo da seleção com o Peru porque ainda esperava que uma negociação com TV Aberta fosse fechada. Houve uma conversa entre o SBT e a Mediapro até o meio da tarde, mas o acordo não foi fechado. A Band fez tentativas, mas não queria gastar dinheiro, e a Globo ainda acompanhava. Com isso, a confederação fechou uma negociação mais barata repassando direitos à TV Brasil e usando o seu site.

O imbróglio da negociação dos jogos da seleção como visitante dura mais de um ano. Os direitos pertenciam originalmente às federações nacionais o time dono da casa que os revenderam para a Mediapro. A agência exigia US$ 20 milhões pelo pacote de oito jogos da seleção, entre outras partidas. Não houve acordo.

Com o impasse, no dia do jogo pela manhã, o secretário-executivo do Ministério de Comunicações, Fábio Wanjgarten, interferiu e foi falar com a CBF para pedir autorização para transmissão na TV Brasil. A confederação avisou que não tinha os direitos e não poderia dar o aval.

A cúpula da CBF externou essa posição sabendo que havia negociações de TVs Abertas com a Mediapro. Havia o temor de que a fala do governo naquele momento atrapalhasse as conversas de emissoras privadas. A tentativa mais firme era do SBT. A Globo ainda acompanhava a movimentação. E a Band queria apenas oferecer a plataforma sem pagar em troca de divisão de receitas.

Ficou claro que não sairia acordo no meio da tarde. Com isso, a CBF passou a conversar diretamente com a Mediapro porque não queria os jogos da seleção fora da TV Aberta. Até aquele momento só seria transmitido pelo canal fechado Esporte Interativo Plus.

Foi fechado um acordo bem mais baixo com as garantias de que a transmissão seria só na TV Pública e no site da CBF. O negócio foi fechado em torno de torno de três a quatro horas antes do início do jogo em negociação direta feita pelo presidente da entidade, Rogério Caboclo. Não houve participação do governo federal nesta conversa.

Como a TV Brasil já tinha oferecido a plataforma e é pública, a CBF ofereceu as imagens o que gerou uma correria para viabilizar a transmissão tanto na emissora quanto no site da entidade. Durante a transmissão na TV Brasil, houve um uso político do jogo da seleção.

Apesar de a transmissão ter ocorrido sem problemas, a confederação viu o negócio de última hora como um plano de emergência. Em um mundo ideal, não pretende se tornar uma compradora de direitos e tem preferência que uma televisão privada adquirira o próximo jogo contra o Uruguai. Até porque a Globo costuma dar audiência significativamente maior do que a TV Brasil para exposição de patrocinadores e do time da seleção. Uma transmissão no SBT também teria maior público principalmente se anunciada com antecedência.

Rodrigo Mattos