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Rodrigo Mattos

Em dez dias, Flamengo sai do perrengue para a redenção nos pés de jovens

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

01/10/2020 00h44

Há dez dias, o Flamengo era um time questionado, goleado, com um surto de Covid e com três jogos decisivos a sua frente. Acabou esse período com sete pontos, a vaga antecipada na Libertadores, com uma goleada dada e talvez se reencontrou consigo mesmo. Tudo isso pelos pés de garotos saídos da base e do craque Arrascaeta.

Quem acredita que o Flamengo se forja na dificuldade terá nesta sequência de acontecimentos uma confirmação de sua tese. "Sem dúvida, quando há adversidades, as pessoas se juntam", disse o auxiliar Jordi Guerrero, que substituiu Domènec.

O time rubro-negro que sofreu diante do Del Valle no Equador vivia instabilidade. Apostava em esquemas diferentes idealizados por Domènec, e uns funcionaram bem e outros, não. Um time em formação. A goleada ameaçava destruir esse início.

Sem sete jogadores, o Flamengo já se impôs diante do Barcelona com seu time base dominando a maior parte do jogo. E houve mais desfalques por conta do coronavírus atingindo um total de 19 infectados pela Covid.

Aí o Flamengo teve que apelar para seus garotos com Hugo Neneca, Matheusinho, Noga, Otávio, Nathan e Ramón em sua linha de defesa. A postura segura deles em partidas profissionais é uma anormalidade no mundo do futebol. Não é um cenário atípico, no entanto, o time rubro-negro achar soluções imprevisíveis em sua base.

Menos surpreendente foi Arrascaeta. Como um dos jogadores de alto nível que sobraram no time, o uruguaio conduziu sua equipe nas duas partidas, diante do Palmeiras e do Del Valle.

Junto a esses atletas, o Flamengo achou também uma forma diferente de jogar. Contra um Del Valle que gosta de espaços, a equipe rubro-negra negou os latifúndios que dera aos equatorianos no seu meio-campo. Fora um início de jogo, em que esteve mais exposto, o time carioca recuou sua marcação e travou o time rival.

Em seu ataque, o Flamengo teve uma velocidade no contra-ataque que não tinha antes, com Gabigol, Pedro e Lincoln. Foi o garoto -que é garoto ainda lembremos - que chapou para o gol na abertura do gol. Mais outro contra-ataque e Pedro aumentou.

O Del Valle estava tão perdido no jogo como esteve o Flamengo no Equador. Tonto, dava os espaços para o time carioca construir com naturalidade os outros dois gols de Bruno Henrique.

Taticamente, não se sabe o que o Flamengo vai tirar desse período. Em termos de elenco, está claro que achou ali garotos que antes não eram vistos como possibilidades. Mas fato é que o time rubro-negro parece ter encontrado em meio ao perrengue algo que havia perdido.

Rodrigo Mattos