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Rodrigo Mattos

Realização de Palmeiras x Flamengo esfria tumulto e ameaças no Brasileiro

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

28/09/2020 19h39

Determinada pela Justiça do Trabalho, a realização do jogo entre Palmeiras x Flamengo em meio a um surto de Covid no time rubro-negro esfriou a turbulência no Brasileiro. Cartolas de outros clubes ficaram revoltados com um possível adiamento que entendem que favorecia a equipe carioca. Mas, agora, entendem que o campeonato ganhou uma estabilidade temporária com um critério definido para casos de surto de Covid.

Um exemplo é o Atlético-MG que decidiu não entrar mais com uma ação no STJD para pedir a exclusão do Flamengo do campeonato. No domingo, ao portal "Terra", o seu presidente Sergio Sette Câmara dissera que entraria com uma requisição nesse sentido porque o clube rubro-negro teria se beneficiado por decisão judicial de ação do Sindicato de Funcionários de Clubes. Teoricamente, teria ferido o artigo 231 do CBJD.

O entendimento atleticano não mudou e o clube vê a desistência do sindicato da ação da ação judicial após o jogo como um indício de atuação do Flamengo. Mas a diretoria do Galo decidiu deixar qualquer iniciativa com a procuradoria do STJD e não agir por conta própria.

O sentimento atleticano é similar ao apurado com outros clubes que se irritaram com o Flamengo. Com a realização do jogo, entende-se que foi consolidada a regra de que um time tem que entrar em campo mesmo com surto de Covid se tiver 13 jogadores disponíveis. No caso dos times grandes, é bem difícil não haver condições de jogo.

A decisão do TST (Tribunal Superior do Trabalho) determinou que, se os jogadores estão com testes de Covid negativos, podem jogar. Mas foi uma liminar concedida pelo vice-presidente do tribunal, Vieira de Mello filho. Portanto, não foi criada uma jurisprudência ainda o que só ocorreria com uma decisão da Turma. Esse é o entendimento na CBF.

Entre os outros clubes que se mostraram mais irritados com o Flamengo estavam o Palmeiras e o Corinthians.

Um dos dirigentes de clubes que participou do movimento contra o Flamengo entende que a calma é temporária e espera o desenrolar das próximas semanas. Até porque há outra disputa em vigor que é relacionada à presença de público nos estádios. Em reunião no sábado, 19 clubes vetaram esse retorno e há um entendimento de que não é o momento já que prefeituras pelo país estão vetando. De qualquer maneira, a não ser que exista um fato novo, não haverá nova reunião entre clubes nesta semana a princípio.

Ausente, o Flamengo defende que pode ter público se autoridades liberarem, o que são os casos da prefeitura e do Estado do Rio de Janeiro. Uma tentativa do clube rubro-negro de forçar a volta da torcida poderia trazer de volta nova turbulência. E, embora a situação tenha se acalmado, ainda há revolta com o time carioca por conta dessa postura isolada.

As ameaças de paralisação do Brasileiro, no entanto, são vistas como inviáveis de ocorrer. Os clubes já estão estrangulados com a falta de receita e têm consciência de parar o campeonato acarretaria a paralisação dos pagamentos pela TV Globo, única fonte de receita estável para as equipes no momento.

Rodrigo Mattos