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Rodrigo Mattos

Europa mostra que é apressada a volta do público no Brasileiro

Thiago Ribeiro/AGIF
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

23/09/2020 04h00

O Ministério da Saúde aprovou o plano da CBF para volta do público aos estádios com capacidade de 30%. Ainda são necessárias autorizações municipais e reuniões de clubes para definir o retorno que está autorizado para outubro. As discussões sobre a presença dos torcedores nas ligas da Europa mostram que o Brasil se precipita nesta medida.

Primeiro, é importante que se diga que a volta do público é quase uma unanimidade entre os dirigentes de clubes nacionais. A maioria quer e pressionou a CBF pelo retorno. A prefeitura do Rio já até autorizou a volta em outubro.

Comparando com a Europa, entre as cinco principais ligas, a Alemanha e a França já têm aprovada a presença de torcedores nos estádios. O país da Bundesliga foi o mais avançado com a previsão de 20% da capacidade dos estádios permitida. Na França, os primeiros testes são com públicos de até 5 mil, embora caiba aos governos locais definir o números.

Itália, Inglaterra e Espanha têm planos prontos para os retornos dos públicos nos seus estádios no início de outubro - já foram feitos alguns experimentos. Os planos envolvem desde pequenos públicos até mil pessoas a 30% da capacidade. Mas esses planos foram congelados pelos governos - no Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson anunciou que não iria acontecer tão cedo.

E como está a epidemia nesses países? O pior caso é o da Espanha neste momento, com a Alemanha na melhor situação. Mas, pelos dados da OMS, os cinco países somaram 1.218 mortes em uma semana - foi usado o dado da semana encerrada em 14 de setembro que estava completa. A Alemanha tinha o número mais baixo com apenas 37 óbitos em uma semana - é o país que controlou melhor a epidemia entre os cinco.

Bem, no mesmo período, o Brasil somou 5.397 novas mortes por coronavírus, mais do que o quádruplo dos cinco países europeus juntos. A argumentação de que o país é continental não cola neste caso: a população brasileira é de 212 milhões de pessoas, e as cinco nações têm juntas 322 milhões de pessoas.

Como conclusão, o Brasil, que tem tido queda nos números da pandemia, continua em situação bem mais grave do que a Europa. E, nas ligas europeias, os planos de volta ao estádio estão em discussão com o governos e só foram adiante com boa capacidade na Alemanha, país com menores índices da pandemia.

Apesar da aprovação do plano pelo governo, o debate no Brasil deve ser prolongar um pouco mais. Não existe aprovação de todos os municípios, e os clubes ainda precisam discutir procedimentos.

Mas a pressão dos clubes é tão forte pelo retorno dos públicos para aliviar o caixa que é provável uma volta bem mais rápida do que a ocorrida na Europa.

Rodrigo Mattos