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Rodrigo Mattos

Como Leipzig na semi da Champions explica projeto do Red Bull Bragantino

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

19/08/2020 04h00

Semifinalista da Champions, o RB Leipzig tem em comum com o Red Bull Bragantino algo além do mesmo dono: um projeto com princípios similares que norteiam a franquia de times. Há diferenças, no entanto, em relação à execução porque a empresa-mãe tem a ideia de flexibilizar a aplicação de suas ideias de acordo com pessoas e ambientes que trabalham em cada clube.

O grupo austríaco Red Bull criou uma rede de times pelo mundo, com franquias na Alemanha, Áustria, EUA e no Brasil. Há formatos jurídicos diferentes que se adaptam a cada país, mas todos têm como controladores duas empresas no país-sede que faz investimentos para contratações.

As gestões são independentes, mas tem princípios similares:

Jogo agressivo

Os times têm modelos de jogo ofensivo, com agressividade na marcação e na busca da posse de bola. Isso foi implantando no Leipzig por Ralf Rangnick que foi diretor e técnico do time durante períodos diferentes - ele saiu recentemente do clube. Atualmente, o técnico é Julian Nagelsmann, ex-jogador que encerrou a carreira jovem e se tornou técnico. Ele tem apenas 33 anos.

Por isso, o objetivo é contratar jogadores técnicos que se adaptem ao modelo de jogo. A intenção é manter os atletas durante um período no clube para que se adaptem ao sistema de jogo.

No Brasil, o Red Bull contratou como técnico Felipe Conceição, que tem 41 anos e também encerrou sua carreira precocemente. Sua escolha foi feita porque, apesar da juventude, foi identificado que ele era capaz de dar os treinos e os conceitos do modelo de jogo agressivo. O clube chegou a buscar um português, mas descartou outros estrangeiros por questões de comunicação. Durante o Paulista, o Red Bull teve a melhor campanha durante a fase de classificação.

Contratação de jovens e importância de scouting

Ambos os times têm investimentos da empresa-mãe em contratações, mas não se procura grandes estrelas. A proposta é buscar jovens atletas que tenham potencial para adaptação e eventual revenda com lucro. O dinheiro entra por meio de empréstimos aos clubes feitos pela empresa mãe.

No RB Leipzig, as contratações mais caras foram na casa de 20 milhões de euros. Ao mesmo tempo, o time conseguiu vender Keita por 52 milhões de euros (R$ 347 milhões). O time é jovem e, por isso, sentiu o peso da semifinal de uma Champions.

No Brasil, a contratação mais cara foi de Arthur, do Palmeiras, por 6 milhões de euros (na época, R$ 27 milhões). Mas há um foco em jogadores em torno de 20 anos ou da base, inclusive na América do Sul. É o caso do zagueiro colombiano Cesar Haydar, de 19 anos. Não se sabe o investimento total até agora, mas era o time que mais tinha gasto depois do Flamengo na temporada.

O Red Bull Bragantino gasta mais com o departamento de scouting para procurar atletas pelo continente. Isso porque a avaliação é de que, quando o jogador já está atuando nas principais ligas sul-americanas, já são mais caros. Na base, no entanto, são mais baratos.

Ascensão

Tanto no Brasil quanto na Alemanha, a Red Bull coloca metas para seus clubes para serem alcançadas paulatinamente. Os times começam nas divisões mais baixas, vão ascendendo e, no futuro, o objetivo é brigar entre os primeiros lugares.

O RB Leipzig conseguiu chegar à semi da Champions depois de 11 anos da criação em 2009 quando a empresa comprou o SVV Markranstadt, clube da cidade. Saído da quinta divisão, chegou à Bundesliga em 2016. Já incomodou o Bayern de Munique na disputa pelo título.

No Brasil, o RB Brasil não foi bem-sucedido em chegar à segunda divisão. Assim, a empresa optou por comprar o Bragantino e transforma-lo em clube-empresa, processo que está em conclusão. No primeiro ano de gestão, o time se classificou para o Brasileiro da Série A. Esse objetivo foi obtido antes do esperado.

Neste ano, a meta do Red Bull Bragantino é ficar no meio da tabela e se manter na Série A. Isso porque, como a classificação à Primeira Divisão antes do esperado, há um entendimento de que o clube ainda não tinha preparado tudo que era necessário e o salto para o principal campeonato é significativo. A estimativa é de que o time brasileiro está cinco anos atrás do RB Leipzig.

Diferenças

Apesar dos princípios de gestão serem iguais, há diferenças entre o RB Leipzig e o Red Bull Bragantino pelo ambiente e pelas pessoas na administração. No Brasil, o mercado é mais barato para contratações e há maior disponibilidade de talentos, na avaliação da diretoria do Red Bull.

Em compensação, dirigentes do Bragantino entendem que a liga brasileira é mais competitiva do que a alemã porque há quarto ou cinco Bayern de Munique e outros quatro ou cinco Borussia Dortmund, referência aos dois principais times alemães.

Além disso, a Red Bull tem um lema interno de "dar asas" aos seus funcionários, o que significa que os gestores brasileiros têm liberdade para criar um modelo nacional de desenvolvimento para o clube.

Rodrigo Mattos