PUBLICIDADE
Topo

Rodrigo Mattos

Domènec quer mudança radical no Flamengo de Jesus: é apostar o Brasileiro

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

13/08/2020 04h01

Ao chegar ao Flamengo, Domènec Torrent afirmou que faria poucas mudanças no modelo de jogo feito por Jorge Jesus. Não é o que se viu até agora em duas partidas. Logo de cara, com dois jogos, ele decidiu adaptar o time ao seu tipo de jogo em vez de se adaptar à equipe.

Diante do Atlético-GO, Domènec optou por improvisar Rodrigo Caio na lateral-direita no lugar de Rafinha poupado. Mais do que isso, decidiu por uma alteração grande no ataque: abriu mão dos dois meias com Arrascaeta barrado. Em vez disso, abriu dois pontas fixos, Vitinho, pela direita, e Bruno Henrique, pela esquerda, com Gabigol centralizado.

Era algo bem mais próximo do jogo de posição preferido de Guardiola, de quem foi auxiliar, do que da fórmula de movimentação constante e muitos jogadores no mesmo setor, implantado por Jesus. Tanto que Everton Ribeiro aparecia mais como meia centralizado, auxiliado por Gerson.

Nada funcionou. Defensivamente, a linha do Flamengo estava toda bagunçada e Rodrigo Caio mostrou-se não preparado para jogar como lateral. Foi por seu setor que saiu a primeira jogada para o gol de Hyuri e também o segundo em chutaço de Jorginho.

Na frente e no meio, o Flamengo não fazia a pressão habitual, nem na saída de bola, nem na retomada. Resultado, o Atlético-GO se fartava de ter espaço para lançar atrás da linha de defesa rubro-negra. Faltava, é fato, um ritmo intenso dos jogadores.

Ofensivamente, o Flamengo era praticamente nulo com os jogadores distantes. Só teve uma chance com Gabigol após roubada de bola. O centroavante, diga-se, estava em noite infeliz e perdeu dois gols na cara.

Aos poucos, Doménec foi abrindo mão do que tinha feito. Os jogadores deixaram as posições fixas e, no intervalo, entraram Arrascaeta e Rafinha, este para a lateral-direita. Definitivamente, o catalão não parece curtir jogar com dois meias já que tirou Everton Ribeiro. Esse era um ponto forte do Flamengo de Jesus.

No início do segundo tempo, com três atacantes mais móveis, o Flamengo melhorou e enfileirou três chances em 15min. O gol de Ferrareis, de longe, lindo com um chute no ângulo, matou o rubro-negro carioca. Desanimada e descontrolada, a equipe campeã brasileira ainda perdeu Diego Alves expulso.

Ao final, Filipe Luís disse que o Flamengo está habituado a mudanças de esquema em 2019 e não era, portanto, esse o único motivo da queda de rendimento. Admitiu vários erros táticos do time. Já Domènec colocou algumas vezes que jogadores estavam em um ritmo bem mais baixo por conta da epidemia do coronavírus. Sim, estavam bem abaixo da intensidade habitual. Mas ele não explicou suas mudanças.

Fato é que Domènec tenta uma virada radical em um time vencedor sem ter tempo para treinar com jogos nas quartas e domingo. A aposta é alta em um Flamengo que começou como favorito destacado para o Brasileiro. Ele certamente conhece a máxima de Guardiola de que se perde campeonatos nacionais nas oito primeiras rodadas. Na lanterna, o Flamengo está a seis pontos do líder Atlético-MG após duas rodadas.

Rodrigo Mattos