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Turner alinha paz com times antes de ir para guerra com Globo no Brasileiro

Sem máscara, Bolsonaro encontrou dirigentes de clubes brasileiros durante a pandemia de covid-19 - Marcos Corrêa/Presidência da República
Sem máscara, Bolsonaro encontrou dirigentes de clubes brasileiros durante a pandemia de covid-19 Imagem: Marcos Corrêa/Presidência da República
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

23/07/2020 04h00

A Turner se reaproximou dos oito clubes dos quais é parceira na Série A antes de decidir incluir jogos de times da Globo em suas transmissões do Brasileiro. Anteriormente, a empresa americana estava em litígio com os times ameaçando romper o contrato de direitos do Nacional. Agora, decidiu usar a MP 984/20 —"do Mandante"— para ampliar sua atuação no Brasileiro e enfrentar a Globo.

A Turner tem contrato de TV fechada com Athletico, Bahia, Coritiba, Ceará, Fortaleza, Internacional, Palmeiras e Santos. Pelos termos da Lei Pelé, só poderia transmitir jogos entre esses times. Com isso, tinha apenas 56 partidas.

Desde o início do ano, a relação entre a empresa e os clubes se tornou conturbada. A Turner alegou que houve descumprimentos contratuais porque os clubes cederam direitos à Globo que afetavam seu contrato. Com isso, ameaçou romper e parou de pagar seu acordo. Nada quitou das parcelas deste ano. Havia ameaça de processo.

Então, houve a MP do governo federal que dá ao clube mandante o direito exclusivo sobre os jogos. Os oito clubes foram a Brasília apoiar a medida. E a conversa entre as partes mudou de tom.

Isso porque a Turner passou a ter direito a 152 jogos no total, incluindo times com contrato com a Globo. Na tabela, estão previstas, por exemplo, três partidas do Flamengo como visitante em dez rodadas. A emissora tem uma limitação de passar no máximo 76 partidas por contrato. Ou seja, o ativo que comprou se valorizou, enquanto as eventuais perdas por cessões a Globo são reduzidas.

Com isso, a conversa entre a Turner e os clubes mudou de tom, tornando-se mais amigável, segundo o blog apurou com envolvidos no negócio. Os dirigentes de times ainda não deram autorização expressa à emissora de transmitir todos os jogos como mandantes. Mas essa é uma tendência. E alguns dos cartolas entendem que esse aval nem é necessário já que a empresa tem esse direito.

A inclusão de jogos de times da Globo foi, então, um primeiro passo para a Turner continuar no Brasileiro. A disputa judicial que se seguirá e a aprovação da lei no Congresso terão peso nos próximos passos.

Já o objetivo dos clubes é que o contrato seja cumprido e voltem a receber as parcelas de pagamentos da Turner, o que não ocorreu. Ressalte-se que a negociação entre as partes por um acordo ainda não está concluída.

A questão é que a Globo já fez uma notificação extrajudicial requisitando que a Turner não transmita o jogo. É provável que a questão seja discutida na Justiça, na avaliação de envolvidos no imbróglio.

Perguntada sobre a tabela do Brasileiro, a Turner informou que não se pronunciaria. Nem se pronunciou sobre a notificação feita pela Globo.

Os jogos que forem transmitidos pela Turner podem ser acompanhados sem necessidade de TV paga, ao adquirir o pacote do UOL Esporte Clube.

Blog do Rodrigo Mattos