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Jesus dá rasteira no Flamengo pela forma como negociou saída ao Benfica

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

17/07/2020 16h50

Campeão da Libertadores e do Brasileiro, Jorge Jesus se firmou como um dos maiores técnicos da história do Flamengo. É um fato. Mas sua saída se dá em uma negociação que demonstrou desrespeito com o clube.

Para chegar a esta conclusão, é só fazer um histórico da negociação com o Benfica. A primeira notícia na imprensa portuguesa do renovado interesse do time português foi em 5 de julho. Havia fundamento na informação e Jesus estava balançado com a proposta.

Ora, desde então, o técnico fechou-se em um silêncio total dentro do Flamengo. Aos dirigentes, dava sinais de que se mantinha no pacto de conquistar títulos e seguir no clube. Pacto este que envolveu jogadores rubro-negros também. Não se deve esquecer que tinha renovado o contrato com o Flamengo um mês antes.

É direito de Jesus achar que o melhor para sua vida é voltar para Portugal. Há uma epidemia de coronavírus galopante no Brasil, ele é um senhor, sua família o quer em Lisboa. O Benfica é uma espécie de casa dele. O calendário sul-americano é mais impactado pelas restrições da doença. Havia portanto razões para saída.

Assim como havia motivos para permanecer. O projeto esportivo do Flamengo, atualmente, é mais consistente do que um Benfica em crise. As ambições rubro-negras dentro do continente sul-americano também são maiores do que as do time português na Europa. Cabia a ele analisar seus pro e contras.

Bastava que explicasse isso em uma conversa franca com dirigentes do Flamengo. "Olha, tem essa proposta, assim e assim, estou pensando. Vocês serão os primeiros a saber. Vamos encerrar o Carioca." Não é tão difícil.

Jesus, no entanto, permaneceu em silêncio. Após o título Carioca, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, chegou a dizer que ele treinaria o time na semana seguinte, alegando que tinha ouvido a garantia dele. Acabou exposto como mal informado.

Nos dias seguintes, Jesus fechou com o Benfica. Com a negociação concluída, e pública, a diretoria rubro-negra, enfim, foi ser comunicada na sexta-feira. Só de manhã passou a ter noção real de que perderia o técnico que acreditava que ficaria.

Repetiu-se assim o roteiro do técnico colombiano Reinaldo Rueda que conversava sobre reforços com dirigentes rubro-negros enquanto ajeitava sua mudança da Barra da Tijuca para Santiago. Assim como no caso do colombiano, a diretoria do Flamengo terá pouco tempo para contratar um técnico e uma comissão técnica inteira para o início do Brasileiro, em 20 dias.

Não parece ser algo que preocupou muito Jesus enquanto tomava sua decisão e prolongava a novela. Talvez o português seja poupado pela torcida por ser um dos mais vitoriosos da história do clube. Mas isso não muda o fato de que deu uma rasteira no rubro-negro.

Blog do Rodrigo Mattos