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Polêmica fora de campo e tropeço dentro: um dia diferente no novo Flamengo

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

09/07/2020 04h00

A partir de 2013, o Flamengo aos poucos se livrou da fama de mau pagador, de clube zoneado, para virar exemplo de administração. A partir do meio de 2019, o Rubro-negro deixou para trás a imagem de time que nunca chega nas taças importantes em tempos recentes e virou o rival a ser batido. Parecia que seria céu de brigadeiro para sempre.

A noite da última quarta-feira (8), na final da Taça Rio, lembrou ao clube da Gávea que seu domínio tem seus calcanhares de Aquiles. Não que a competição tenha grandes importâncias, não tem até pela esculhambação imposta ao Carioca. Mas o jogo acabou ganhando um simbolismo justamente pelas disputas jurídicas em torno das transmissões.

Fora de campo, o Flamengo, clube mais rico do Brasil, apoiou uma ação na Justiça Desportiva que lhe permitiria transmitir o jogo no FlaTV. Para isso, seria necessário rasgar o regulamento do Carioca que previa o sorteio para o mandante da final da Taça. É uma das manobras clássicas de cartolas dos anos 90. O procurador fez a roda rodar, a Ferj topou, o Flamengo deu aval, a tribunal do Rio, chancelou.

Foi o STJD quem barrou após recurso feito pelo Fluminense. Na decisão, o presidente do tribunal dizia que a lei não permite mudanças de regulamentos no meio do campeonato, e que a MP de direitos de TV não podia alterar as regras. Parecia até meio óbvio.

Era o ápice de uma disputa que se estendia por semanas em que as estrelas do Flamengo perderam o protagonismo para seus advogados. Quase não se falava do assédio do Benfica ao técnico Jorge Jesus ou do belo gol de Gerson na volta do Estadual.

Quando entrou em campo, enfim para enfrentar um rival de porte, o Flamengo parecia que estava simplesmente cumprindo um "protocolo jogo seguro Ferj" tal a displicência com que entrou em campo. A diferença de qualidade e preparação para o Fluminense, de fato, poderia dar essa impressão. Mas não é o que o histórico dos clubes indicava.

Não se sabe o impacto da disputa extracampo nos jogadores rubro-negros, pode ter nenhum efeito. Fato é que o Fluminense e sua diretoria pareciam possessos em campo e na arquibancada. Seu presidente Mario Bittencourt gritava por cartões na arquibancada, enquanto seus jogadores ganhavam a maioria das divididas em campo.

Como se bloqueasse liminares, o sistema defensivo de Odair Hellman parou o Flamengo por algo como 60min. Depois, pifou, cansou. E a realidade é que a noite, pela lógica, ainda seria rubro-negra se Gerson e Bruno Henrique tivesse concluído com gols as chances que se apresentaram a eles. As cenas eram mostradas só na FluTV que desenvolveu uma prática esdrúxula de não citar os nomes dos jogadores rubro-negros. Até os pênaltis.

Foi a segunda final perdida por Jorge Jesus com o Flamengo, ainda que essa seja só um turno. É certo que isso servirá de combustível para o time nos próximos confrontos. E, com a disparidade entre as equipes, o cenário mais previsível é que o time rubro-negro não deve falhar em três jogos seguidos. Portanto, segue favorito destacado para ganhar o Carioca diante do Fluminense.

Mas, talvez, seja benéfico para o Flamengo lembrar que foi uma flecha no calcanhar que acabou com o grande Aquiles.

Errata: o texto foi atualizado
Jorge Jesus perdeu duas finais no comando do Flamengo. Contra o Liverpool, no Mundial de Clubes, e Fluminense, pela Taça Rio.

Blog do Rodrigo Mattos