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Dirigente do Bahia sobre MP: 'Hoje emissora de TV centraliza a negociação'

Guilherme Bellintani, presidente do Bahia - Felipe Oliveira / EC Bahia
Guilherme Bellintani, presidente do Bahia Imagem: Felipe Oliveira / EC Bahia
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

23/06/2020 04h00

A publicação da MP pelo governo federal que altera a negociação dos direitos de TV - articulada pela diretoria do Flamengo - gerou controvérsia entre clubes e especialistas. A medida deu apenas ao clube mandante o direito de transmissão da partida em vez de ficar dividido com os dois clubes como antes. A nova lei é válida, mas só vai se manter se aprovada no Congresso.

Em meio à discussão sobre o assunto, houve críticas de que a MP aumentaria a diferença de verba entre clubes que já têm as maiores receitas e os que têm rendas médias. Além disso, haveria um incentivo da negociação individual de direitos, que, na realidade, já ocorre no país.

O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, no entanto, rebate essas posições. Na visão do dirigente, as novas regras, se confirmadas, iriam estimular a formação de blocos de clubes que poderiam ter um poder de barganha maior do que times individualmente. Abaixo, ele explica suas posições sobre o tema.

Blog: Por que gostou do MP que altera negociações de direitos de TV?

Guilherme Bellintani: Traz uma coisa muito óbvia que é a inclusão de jogos que estavam fora do campeonato. Se um clube que reúne com outro e forma um bloco de 10 clubes, só teria 90 jogos. Agora, teria 190 jogos. Sai de 90 jogos para 190 jogos. Antes, esse jogo não estava em lugar nenhum. Torcedor perde com isso. E o bolo econômico diminui.

Blog: Houve várias críticas à MP por incentivar a negociação individual. O senhor acredita que isso pode ocorrer?

Bellintani: Como é hoje? Individual. Na verdade, melhora a situação atual porque estimula a formação de bloco. Não tem vantagem de formar bloco nas condições antigas. Não vi tese consistente de que vai estimular negociação individual. Hoje, a emissora de TV que centraliza a negociação. Só uma emissora que consegue se comunicar com os 20 clubes. Veja se a Turner parece comercialmente satisfeita com o pacote que comprou. É completamente falsa a ideia de que há um estímulo de conversar em grupo na legislação atual.

Blog: Outro ponto levantado é que a nova legislação aumentaria a diferença dos recursos recebidos por alguns clubes?

Bellintani: Não vi nenhuma conta consistente sobre isso. Um grupo de 10 clubes poderia ter 190 jogos.

Blog: Mas o Flamengo não poderia ter um contrato muito maior do que os outros?

Bellintani: Ele (Flamengo) continua sem ter outros 19 jogos dele. E ele não tem os 19 mais importantes (fora de casa). Eu acabei de ganhar um jogo do Flamengo, eu não tinha jogo do Vasco. Acabei de ganhar um jogo de cada poderoso para meu pacote. Se o Flamengo não quisesse negociar comigo, a TV que viria negociar comigo. As pessoas comparam o Brasil com os países europeus. A diferença é que lá os clubes se juntam, estabelecem as regras, e fazem a seleção de uma TV que vai comprar. No Brasil, só existe uma emissora que consegue construir a compra integral dos ativos.

Blog: E a partir de agora outras emissoras poderiam competir?

Bellintani: A única concorrência (nas condições atuais) que teve foi entre Turner e Globo.

Blog: O Pay-per-view pode morrer?

Bellintani: Pode morrer. Ele já está em declínio. Para mim, como Bahia, ele é já morreu. Antes, faturaria R$ 20 milhões com ppv, hoje ele vale R$ 8 milhões.

Blog: Valeria mais a pena ter um streaming do Bahia neste caso?

Bellintani: Ou streaming do Bahia ou de todos os clubes que não precisasse repassar 62% para a emissora. A Globo hoje fica com 62% do ppv. A maioria dos clubes divide 26% a 25% que é distribuído para todos os clubes. Por que do total da arrecadação, 62% vão para a Globo e outros 13% para Flamengo e Corinthians [NR: mínimo garantido é de R$ 120 milhões para o Flamengo]. Eu conseguiria mais receita com um streaming.

Blog: Você tentará fazer esforço para aprovar essa medida no Congresso?

Bellintani: Claro que vou. Não há menor dúvida. Ela dá um salto muito importante. Vou falar com senador e deputado do meu Estado.

Blog: Como funcionariam os blocos citados pelo senhor?

Bellintani: Por exemplo, só aprovo os blocos se a diferença entre os que mais ganham e os que menos ganham seja xx%. Você acha que os clubes de não se juntariam para impor regras de maior equilíbrio? Tenho certeza de que sim. E aí os clubes da faixa pequena ou média de receita terão um pacote de jogos. Os oito que mais ganham vão ficar só com seus jogos ou vão ter que sentar para conversar.

Blog: Você entende que o melhor seria a exploração coletiva e não individual dos direitos de TV?

Bellintani: Melhor cenário seria negociação coletiva de todos. Segundo melhor cenário seria com blocos de clubes. O terceiro e pior seria o individual, que é o que temos hoje. O que desequilibra é a questão do ppv e a divisão só pelo número assinante.

Blog do Rodrigo Mattos