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Com sinais de retorno, futebol brasileiro vive incógnita por caos na saúde

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

13/06/2020 04h04

A volta do futebol em meio à epidemia do coronavírus começa a tomar formas em boa parte dos Estados. Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Minas Gerais e Paraná já desenham os retornos para julho de seus Estaduais, embora sem data definida em alguns casos. Em São Paulo, nem os treinos dos times foram autorizados pelo governo.

Esse descompasso entre o Paulista e os outros campeonatos regionais é resultado da desorganização nacional da política de combate do coronavírus no país. Não há uma coordenação por parte do Ministério da Saúde de quando e onde se deveria reabrir setores da economia, e onde deveriam permanecer fechados. Só há declarações soltas do presidente Jair Bolsonaro, sem nenhum amparo técnico, forçando a reabeartura.

Sendo assim, cada Estado estabelece um critério para sua região, sem conexão com o que faz o vizinho. Fica difícil estruturar a realização do Brasileiro, um campeonato nacional, neste cenário. A CBF, neste momento, tem protocolos sanitários, mas nenhuma perspectiva de data para o campeonato, que é essencial para sobrevivência dos grandes clubes.

É preciso que se diga que o futebol sinaliza volta em um momento precipitado por todo o Brasil. A epidemia claramente não está sob controle no país, com mais de mil mortes diárias em dias da semana. Ou seja, o país está bem longe do cenário mais brando de países europeus como Alemanha e Espanha que retornaram aos campos.

Dirigentes alemães da Bundesliga já disseram que o essencial para o retorno da bola no país foi o fato de os governos central e regionais terem mantido sobre controle a epidemia. Só assim seus protocolos para volta do jogo de forma segura foram possíveis. O campeonato reiniciou e não parou.

No Brasil, não há nenhuma garantia de que a permissão do futebol será mantida. Como a reabertura da economia ocorreu sem que a epidemia estivesse em clara curva descendente, não será surpresa se houver nova subida de casos e óbitos. E isso pode obrigar autoridades a recuarem das autorizações de volta do futebol.

Esse recuo não parece ser, no entanto, o cenário mais provável. Os governos estaduais não aguentaram a pressão pela volta da economia. Tanto que há até uma falta de coerência do governo e prefeitura de São Paulo no veto aos treinos do futebol. Se foi permitido que shoppings centers funcionem, por que prática de esporte ao ar livre (treinos de futebol) devem ser proibidos? Ambientes fechados e com mais pessoas são mais propícios para o contágio do coronavírus. E os clubes têm controle sobre seus empregados, diferentemente dos shoppings sobre os consumidores.

Em resumo, é mais uma das medidas sem sentido nas políticas públicas sobre coronavírus no Brasil. Assim, dirigentes de futebol, e o próprio futebol, são vítimas e não culpados pela incerteza do calendário nacional deste ano. Mas esta deve se prolongar.

Blog do Rodrigo Mattos