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Corinthians tem aumento de dívida maior até do que Cruzeiro em 2019

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

12/06/2020 04h00

O Corinthians teve o maior aumento de dívida entre os clubes da Série A durante o ano passado superando até o Cruzeiro cuja gestão passada arruinou o clube. É o que mostra um levantamento feito pelo blog em cima de estudos da consultoria EY sobre as contas das agremiações nacionais.

A EY apontou em seu estudo que os 20 clubes analisados tiveram um aumento do endividamento líquido de R$ 1,099 bilhão no ano passado (ou 15%), atingindo um total R$ R$ 8,1 bilhão. Foi considerada a dívida líquida (todo o passivo, menos o que o clube tem a receber no ativo). O valor foi acima, portanto, das receitas obtidas por essas agremiações de R$ 6,1 bilhões.

E o Corinthians e o Cruzeiro foram responsáveis por mais da metade desse crescimento do débito líquido. Em 2019, o time paulista teve um aumento de dívida de R$ 288,5 milhões, saltando para R$ 765 milhões. Enquanto isso, a agremiação mineira teve um crescimento de R$ 278,9 milhões, chegando a um total de R$ 799 milhões.

A situação financeira dos cruzeirenses é pior porque tem uma receita menor do que a corintiana. A dívida mineira é quase o triplo da receita anual do clube. No caso da agremiação alvinegra, o débito líquido é quase o dobro da renda de 2019. Idealmente, um clube deve manter essa relação em até 1 para 1.

E como aconteceu essas explosões de dívidas dos dois tradicionais times? A derrocada do Cruzeiro é conhecida. Desde o início da gestão do ex-presidente Wagner Pires de Sá, o clube tem gastado mais do que recebe, seja com um time caro, seja com despesas para benefício de cartolas, como está demonstrado em investigação da polícia e de procuradores em Minas Gerais. Isso culminou com salários atrasados e o rebaixamento da equipe para a Série B em 2019.

No Corinthians, não há acusação de favorecimento a dirigentes. Mas a fórmula é parecida em termos de gastança sem ter fundos para cobrir, principalmente no time de futebol. Não por acaso o clube teve um déficit de R$ 177 milhões - o segundo maior depois dos R$ 394 milhões do Cruzeiro.

Em 2019, o Corinthians se tornou o clube brasileiro com a segunda maior dívida tributária com R$ 380 milhões, aponta o estudo da EY. Ou seja, houve um crescimento de R$ 150 milhões nos débitos com o governo federal. Agora, só está atrás do Botafogo.

Não é a primeira vez que a gestão do presidente Andrés Sanchez provoca um aumento substancial das pendências do clube com o governo. Em sua primeira passagem à frente do Corinthians, ele deixou uma dívida em aberto com o fisco que resultou em um processo de mais de R$ 100 milhões contra a agremiação, valor incluído no Profut.

No caso do Cruzeiro, também houve um aumento de R$ 121 milhões da dívida tributária. Com isso, o valor chegou a R$ 338 milhões, o que é surpreendente para um clube que, no passado, tinha poucos débitos fiscais. Agora, é o terceiro que mais deve ao governo.

Além disso, os dois clubes se igualam nos crescimentos de empréstimos privados. O Corinthians chegou a R$ 97 milhões de dívida com bancos e pessoas no final do ano passado, enquanto o Cruzeiro foi para R$ 142 milhões. Juntos, os dois times tiveram um aumento de R$ 100 milhões neste tipo de compromisso que tem juros mais altos e prazos mais apertados do que com o governo. O time mineiro tem ainda o problema das dívidas na Fifa.

A análise dos números mostra que, sim, o Corinthians seguia rota parecida a do Cruzeiro mesmo antes da epidemia do coronavírus que afetou todos os clubes. Não está na mesma situação porque tem bem mais receita fruto de uma torcida maior - R$ 426 milhões contra R$ 289 milhões em 2019. Mas isso não o salvará por muito tempo se persistir com a mesma política.

Lista de maiores dívida líquidas (com os aumentos anuais):

Botafogo - R$ 819 milhões (aumento - R$ 89,1 milhões)

Cruzeiro - R$ 799 milhões (aumento. - R$ 278,9 milhões)

Internacional* - R$ 794 milhões (aumento - R$ 125,5 milhões)

Corinthians** - R$ 765 milhões (aumento - R$ 288,5 milhões)

Atlético-MG - R$ 656 milhões (aumento - R$ 61 milhões)

Fluminense - R$ 642 milhões (aumento - R$ 13 milhões)

Vasco - R$ 639 milhões (aumento - R$ 108,1 milhões)

Flamengo - R$ 505 milhões (aumento - R$ 35,5 milhões)

São Paulo - R$ 503 milhões (aumento - R$ 232,6 milhões)

Palmeiras - R$ 501 milhões (aumento - R$ 38 milhões)

Santos - R$ 440 milhões (aumento - R$ 32,1 milhões)

Grêmio - R$ 410 milhões (aumento - R$ 94,4 milhões)

Atlético-PR - R$ 279 milhões (redução - R$ 17,2 milhões)

Bahia - R$ 224 milhões (aumento - R$ 56,6 milhões)

Sport - R$ 178 milhões (aumento - R$ 3,1 milhões)

América-MG - R$ 82 milhões (aumento - R$ 18,9 milhões)

Goiás - R$ 50 milhões (aumento - R$ 5 milhões)

Ceará - R$ 14 milhões (R$ 1,4 milhão)

*Cerca de metade da dívida do Internacional é relacionada a acordo de cessão de parte do Beira-Rio, valores que o clube não terá de desembolsar

** O débito do Corinthians não inclui a dívida do estádio que o clube terá, sim, de pagar

Blog do Rodrigo Mattos