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Alteração na fórmula do Brasileiro causará perdas financeiras para clubes

Alexandre Vidal & Marcelo Cortes/Flamengo
Imagem: Alexandre Vidal & Marcelo Cortes/Flamengo
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

21/03/2020 04h00

A CBF e boa parte das federações estaduais paralisaram campeonatos por conta da pandemia do Coronavírus. E a diretoria da entidade sinalizou que pode convocar um Conselho Técnico para que os clubes discutam a mudará da fórmula do Brasileiro. Neste contexto, já surgem ideias entre clubes e federações de mudar o Brasileiro e transforma-lo em mata-mata para poder caber no calendário.

A questão é que mudar de fórmula do Nacional implicará em prejuízos financeiros consideráveis para os clubes. Isso porque toda a negociação dos direitos de TV do campeonato foram estruturados de acordo com o modelo de pontos corridos, com os jogos por 38 rodadas.

O blog apurou que partiu de algumas federações sugestões como campeonatos com grupos e depois mata-mata. A discussão ainda é bem embrionária e a CBF ainda não considerou esse tipo de fórmula. Em reunião com as federações, o presidente da confederação, Rogério Caboclo, indicou que faria o possível para concluir os Estaduais.

Mas a Globo já avisou a clubes que eventual mudança do formato teria impacto contratuais e seria avaliado o valor.

Os conflitos

Com um adiamento do campeonato, seria possível para a rede contornar os efeitos em relação a anunciantes e seu sistema de pay-per-view, já que haveria a previsão de realização dos jogos. A redução do Brasileiro com nova fórmula, no entanto, geraria um novo cenário.

O pacote de pay-per-view seria o mais afetado. Pelo formato atual, a Globo pode garantir até 38 jogos de um time no pacote, caso consiga fechar com todos os times —o Athletico-PR, Coritba e Red Bull estão sem acordos. Assim, a emissora mantém a fidelidade dos assinantes durante todos os oito meses da competição.

No caso de uma competição de mata-mata, quando um time é eliminado, é automática a perda de interesse de sua torcida pelo campeonato. Exemplos não faltam: a DAZN pode ter incremento de assinaturas por jogos de times de grandes torcidas e, depois, debandada se a equipe é desclassificada como ocorre na Sul-Americana.

No caso dos anunciantes da TV Aberta, o pacote da Globo garante um número definido de datas, em torno de 95, por temporada. Com a redução dos campeonatos, a emissora terá de negociar com seus parceiros. E será inviável atender tantas datas se não houver o Brasileiro, e preencher com Estaduais.

Uma possibilidade para manter os pontos corridos com todas as rodadas seria estender o Brasileiro ao longo do ano de 2021. Há um indicativo de que isso está longe de ser a preferência da CBF.

Blog do Rodrigo Mattos