PUBLICIDADE
Topo

FlaTV e Facebook mostram força e sinalizam mudança na audiência de jogos

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

15/03/2020 04h00

O Facebook bateu recordes de audiência durante a semana em jogos da Champions e Libertadores. Na Liga dos Campeões, conseguiu 1,1 milhão de estações ligadas no pico no jogo do PSG contra o Borussia. Na Libertadores, atingiu pico de 2,1 milhões com o Gre-Nal. No sábado, no jogo Flamengo x Portuguesa, a FlaTV no Youtube teve quase 1 milhão de audiência de pico enquanto o site da Globo marcava em torno de 200 mil estações.

Os dois movimentos mostram uma mudança no comportamento do público no consumo de eventos esportivos. As plataformas por streaming ganham força e os veículos tradicionais perdem a primazia, embora ainda sejam dominantes. Os dois fatos mostram realidades distintas.

No início de 2019, o Facebook teria suas primeiras transmissões pela Libertadores e houve problemas pela internet disponível. A Conmebol, com isso, orientou a rede a fazer um acordo om a Fox Sports para compartilhar jogos na América do Sul, sendo que não houve acerto para o Brasil. Esse acordo foi renovado para 2020, mas o Brasil continuou de fora.

Ora, o Facebook tem jogos exclusivos nas duas principais continentais e é isso que tem levado a picos de audiência e criado um costume do uso da plataforma. Antes do Gre-Nal, o São Paulo tinha levado em torno de 900 mil pessoas de pico na transmissão de sua estreia na Libertadores. Seus números têm sido superiores ao ano passado quando só atingiu 1 milhão com o jogo do Flamengo.

Do outro lado, as TVs por assinatura têm dificuldade de retenção de assinantes que caíram a 15,5 milhões em janeiro de 2020. Com isso, redes como a Fox Sports, Sportv e a Turner têm queda de público nos jogos da televisão. Ao mesmo tempo, isso afeta o número de assinantes do Pay-per-view para campeonatos nacionais, como o Brasileiro, Estaduais e a Copa do Brasil.

Explica-se: o maior número de assinantes do pacote, que remunera diretamente os clubes com 38% da receita, vem das TVs por assinatura. A Globo tem um produto de venda direta por streaming do ppv, porém, este ainda não engatou. Há inclusive discussões com os clubes sobre o valor da remuneração e custos.

No caso do jogo do Flamengo, o clube e a Globo chegaram a um acordo para dividir os direitos por conta da ausência de público por portões fechados causa do coronavírus. Pois bem, durante o jogo, a FlaTV transmitida no Youtube marcou até 980 mil estações conectadas no jogo no momento de pico. Girou entre 700 mil e 800 mil pela maior parte do jogo. Enquanto isso, o Globo Esporte teve audiência em torno de 180 mil a 200 mil durante a partida. Ou seja, a torcida do clube preferiu assistir à partida no canal próprio, apesar da Globo já ter um know-how maior em transmissões.

É cedo para tirar conclusões por um jogo. Há uma sinalização pela transmissão de nicho, mas pode ter peso a questão da novidade já que era a primeira vez que a FlaTV passava o jogo do time.

Atualmente, o torcedor brasileiro ainda consome mais evento esportivo na TV por assinatura e na TV Aberta. Mas os números recentes mostram que isso tem mudado com a melhoria da internet e a migração de competições para plataformas só por streaming. Resta saber como isso vai impactar as futuras negociações de direitos dos principais campeonatos.

Blog do Rodrigo Mattos