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Por coronavírus, CBF deve rediscutir calendário 2020 e priorizar Brasileiro

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

14/03/2020 04h00

A CBF tem sido uma das mais relutantes federações nacionais em decretar jogos com portões fechados em competições ou cancelamentos por conta do coronavírus. Filiadas à entidade, federações estaduais só tiveram decisões de evitar público na sexta-feira à tarde quando todos os campeonatos de elite do mundo e da América do Sul tinham restrições. Mas a evolução da situação vista na Europa sinaliza uma escalada que fatalmente vai acabar em suspensões pela prioridade à saúde público.

Neste cenário, é hora da CBF começar a agir mais na frente e passar a rediscutir com clubes e federações o calendário do futebol em 2020. Lembremos que a crise do coronavírus não tem data para acabar, mas sabe-se, pela experiências de países como China e Coréia do Sul, que há um pico de contaminação e depois um arrefecimento.

Ou seja, o cenário mais provável é que o futebol seja paralisado durante um período, provavelmente meses, dependendo do nível de disseminação na população brasileira. Ora, em um calendário apertado como é o nacional em que não há nenhuma folga, é preciso discutir o que será feito. Está claro que acabar Estaduais, Copa do Brasil, Brasileiro, Libertadores e ter jogos de seleções se tornará inviável.

A primeira medida é negociar com a Conmebol o adiamento da Copa América para o próximo ano, e também protelar o máximo possível as eliminatórias da Copa que só ocorre mesmo no final de 2022 - talvez deixa-las para 2021. Limpo o calendário de jogos de seleções, será a hora de pensar nas competições de clubes, que são a sustentação da economia do futebol.

Se os torneios de clubes não ocorrerem haverá rediscussão de dinheiro com a televisão e pode representar um colapso financeiro para o setor porque os salários continuarão a ser pagos. Dentro desse cenário, o Brasileiro é o campeonato que gera mais recursos e movimentação para o calendário nacional. Em um cenário escasso de datas, tem que ser priorizado sobre todos os outros, sob pena de falência do sistema.

O Brasileiro das quatro séries, por sorte, tem começo marcado para o final de abril. Assim, pode ter seu início retardado e até jogado para o segundo semestre se necessário ou quando as autoridades do Ministério de Saúde permitirem. Para isso, é preciso um plano em que só tenha que dividir datas com a Libertadores.

"Ah, e a Copa do Brasil?" Bom, é uma competição importante, mas menos relevante para sustenção do sistema. É possível acomoda-la em datas coincidentes para jogos com reservas, ou simplesmente jogar sua conclusão para o início de 2021. É preciso que a CBF tenha desprendimento apesar desta competição ser um contrato direto seu que gera renda.

Quanto aos Estaduais, em caso de cancelamentos em massa por longos períodos, é preciso aceitar que teremos de abrir mão de suas conclusões neste ano para o bem do sistema. Que seja feito um acerto com a televisão para eventuais ressarcimentos.

Essas são algumas ideias, não necessariamente as melhores, outros planos podem ser pensados. O importante é que o futebol tem ter um plano pensando na sobrevivência dos clubes e do sistema em meio ao caos gerado pelo coronavírus. Em caso contrário, os clubes nacionais, a confederação, a televisão, os patrocinadores do futebol e por consequência jogadores e trabalhadores em geral irão todos perecer junto com a economia do futebol.

Blog do Rodrigo Mattos