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Flamengo foge do seu padrão dominante e ganha por jogadores mais decisivos

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

05/03/2020 06h00

Classificação e Jogos

Não foi o Flamengo intenso que sufoca o rival, nem o que controla o jogo do início ao final. Foi um campeão da Libertadores fugindo do seu padrão tradicional na estreia de 2019. Ainda assim, sem quatro titulares, o time rubro-negro apresentou armas suficientes técnicas para bater o Junior Barranquilla.

Parecia que seria um jogo de controle absoluto quando Arrascaeta ganhou a jogada na esquerda e cruzou rasteiro para Everton abrir o placar logo no início. Isso foi seguido por um controle de posse e do jogo pela maior parte do primeiro tempo. Faltava a ousadia, mas não havia ameaça.

Só que isso foi se desfazendo por erros do Flamengo, como uma entregada de Gerson no primeiro tempo, e a postura recuada depois do intervalo. Para piorar, o árbitro Alexis Herrera era negligente na parte disciplinar, deixou de expulsar um violento Téo Gutierrez e a partir daí todos os jogadores começaram a bater. Isso afetava o ritmo do jogo.

O jogo duro facilitava a vida do Junior, especialmente pelo recuo rubro-negro no segundo tempo. Eram nove jogadores atuando atrás da linha da bola, uma postura totalmente incomum do time carioca. Foram poucas as vezes que os rubro-negros foram à frente exercer a pressão na saída da equipe colombiana.

E ressalte-se que o Junior sabe tocar a bola, mas tem uma falta de inventividade no ataque. Ainda assim, terminou o jogo com 14 arremates ao gol contra 10 do Flamengo. Não saiu o gol justamente mais cedo por dois motivos: 1) a dificuldade comovente do Junior de chegar na conclusão certeira e ser decisivo 2) a boa atuação da linha de defesa rubro-negra, zagueiros, Filipe Luís, Diego Alves e volante Thiago Maia.

Talvez o melhor em campo tenha sido o volante Thiago Maia, substituto do titular Arão. Deu uma verdadeira aula de posicionamento de primeiro volante, protegia a zaga, se livrava da pressão na saída de bola e achava passes entrelinhas que abriam o cenário rubro-negro.

Foi especialmente útil quando Arrascaeta saiu por Michael e o Flamengo perdeu o meio-campo. Parecia que Jorge Jesus tinha errado já que a pressão do Junior aumentou. Aí Gabigol lançou o baixinho ex-Goiás em velocidade justamente na ponta direita onde foi escalado pelo técnico para aproveitar o espaço. Seu passe encontrou de novo Everton, calmo, para fazer o segundo. O gol de Téo Gutierrez no final foi só uma lembrança de que ele continuava em campo quando já deveria ter sido expulso há muito tempo.

Blog do Rodrigo Mattos