PUBLICIDADE
Topo

Fair Play da CBF prevê regra similar a que tirou City da Champions

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

16/02/2020 04h00

O Manchester City foi punido com exclusão de duas Liga dos Campeões por exagerar o valor dos seus patrocínios nas suas contas. Trata-se de um mecanismo presente no Fair Play da UEFA para evitar a injeção de dinheiro ilimitado em times pelos donos. Pois bem, a CBF prevê uma regra similar em seu Fair Play financeiro que está em vias de ser implementado.

Primeiro, uma explicação: Fair Play é uma série de regras para os clubes para garantir a saúde financeira deles e uma competição justa entre eles (justa, não igual). Já é aplicado na Europa e na maioria dos seus países. A CBF preparou-se para implantar seu sistema agora em 2020 em seu estágio inicial.

E quais são as regras básicas do Fair Play? São alguns dos itens básicos manter um nível de déficit determinado, um controle do patamar de dívida e não ter débitos em aberto com outros clubes e jogadores. Assim, o objetivo é controlar se a agremiação gasta além do que pode que é o principal problema no Brasil.

Mas a UEFA tem também uma regra de que as receitas do clube não podem ter participação maior do que 30% de partes relacionadas, isto é, empresas sócias ou do mesmo grupo da agremiação. No caso, isso se aplica a clubes-empresa. E o Manchester City tem como dono o Sheik Mansur, membro da família real dos Emirados Árabes Unidos, por meio do grupo empresarial Abu Dhabi.

Pois bem, o grupo tem investido milhões de euros no Manchester City para torna-lo competitivo na Inglaterra e na Europa. Só que havia essa limitação de 30% do total da receita pelo grupo. Mas documentos vazados pelo "Football Leaks", publicados pelo jornal Der Spiegel, mostraram que os patrocínios do time eram oficialmente de outras empresas do Emirados Árabes, mas, na realidade, eram pagos por Abu Dhabi grupo. Portanto, feriam as normas da UEFA.

Há outras acusações contra o City como transferir gastos com salários para um fundo. Assim, reduzia suas despesas e portanto, seu déficit. A punição da UEFA falou que o City exagerou patrocínios nas contas e nos documentos sobre equilíbrio financeiro. Ainda apontou que o clube não colaborou com as investigações. Haverá recursos ao CAS.

No Brasil, a CBF prometeu implementar as regras do Fair Play para 2020 com punições mais leves, como multas e advertências. O regulamento está em discussão com os clubes e a confederação informava que anunciaria as regras agora em fevereiro. Não há uma data marcada ainda.

No Fair Play já elaborado, há uma proibição de investimento de empresas sócias em clubes acima de determinado limite, segundo apurou o blog. Os termos exatos só serão conhecidos quando a CBF divulgar o Fair Play. Também não está certo quando começarão as sanções.

Por enquanto, o clube-empresa ainda não estão plenamente disseminado no Brasil e, portanto, não há grandes investimentos de grupos estrangeiros. O único caso é o do Red Bull Bragantino que, por enquanto, ainda é um clube-associativo. Mas, se aprovado o projeto de clube-empresa, essa realidade deve mudar. O caso do Manchester City, de certa forma, é um retrato do que o futebol brasileiro pode ver no futuro.

Blog do Rodrigo Mattos