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Blog do Rodrigo Mattos


Apesar de Michael, Brasil tem redução no gasto em contratações em 2020

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

11/01/2020 04h00

A janela de transferências para a temporada 2020 tem uma tendência de queda no volume de dinheiro gasto com contratações em relação ao ano passado. Isso ocorre mesmo contabilizada a maior negociação até agora que foi a compra pelo Flamengo de Michael junto ao Goiás. Essa diminuição deve-se à contenção de investimento por parte de Palmeiras e São Paulo, e crises financeiras pesadas em outros clubes como Cruzeiro.

Levantamento do blog aponta que foram investidos até agora R$ 148 milhões com contratações entre os times da Série A do Brasileiro. O clube que usou mais recursos foi o Red Bull que chegou a cerca de R$ 60 milhões em gastos.

Fora o time da multinacional, só Flamengo e Corinthians se movimentaram para adquirir direitos de atletas em maior volume. O clube carioca gastará R$ 33 milhões com Michael, e o Corinthians, R$ 32 milhões com Cantillo e Luan. Houve ainda investimentos por parte do Atlético-MG em Allan e Borrero, em montante que superou R$ 20 milhões.

Mas seu rival mineiro Cruzeiro está tentando se recuperar de grave crise financeira. Inter e Grêmio até agora são cautelosos para compra de direitos federativos. O trio carioca, Vasco, Fluminense e Botafogo, também enfrenta situação econômica complicada, mesmo cenário no Santos.

Em termos de comparação, em 2019, o Palmeiras e o Flamengo disputavam palmo a palmo quem investia mais. O clube carioca gastou mais de R$ 100 milhões no início do ano, sendo a aquisição mais cara de Arrascaeta por R$ 67 milhões. E o clube alviverde não ficou atrás com atletas como Carlos Eduardo, Zé Rafael e Matheus Fernandes. Em 11 de janeiro do ano passado, quando o uruguaio fechou com o time rubro-negro, a janela já tinha R$ 213 milhões em gastos.

E o que explica essa diferença de volume de dinheiro de um ano para outro? Há diversos fatores: Palmeiras e São Paulo desaceleraram por terem fechado com déficit no final do ano passado, embora o time alviverde preveja recursos para alguns reforços. O Flamengo investe, mas de forma menos volumosa do que no ano passado. Isso só vai mudar se Gabigol topar ficar. Ainda assim, no total do ano, o gasto com contratações deve ser menor. A grande novidade é o Red Bull.

"(As explicações) Falta de dinheiro e um mercado externo que não absorve mais nossos atletas.Os clubes já fecharam 2019 com vendas abaixo do necessário. Daí entram o ano com elenco inchado, precisando vender para (i) cobrir o buraco do ano passado, (ii) cobrir o buraco de 2020 e (iii) fazer investimento em reforços. E todo mundo orçou redução de folha. A equação não fecha. E não fecha porque não tem a ponta inicial que é a venda para o mercado externo", apontou o consultor financeiro César Grafietti, que atua na formatação do programa de Fair play da CBF.

De fato, no ano passado, houve uma queda de R$ 330 milhões nas negociações de atletas dos clubes brasileiros para o exterior. Após as duas janelas do início e do meio do ano, houve uma arrecadação de R$ 968 milhões, contra R$ 1,3 bilhão no ano de 2018. Sem negociar para fora, falta dinheiro para investir. Como consequência, houve uma série de déficits no final do ano e boa parte dos clubes entrou em 2019 com a promessa de redução em folhas salariais.

"O que imagino que acontecerá é uma série de acordos amigáveis de rescisão para se livrar dos custos. Daí os atletas reforçarão times mais apertados, mas ganhando menos. É bem provável que haja achatamento salarial para quem quiser jogar, porque muitos ficarão encostados caso não haja rescisão amigável", analisou Grafietti.

Ou seja, após um ano de bonança, os clubes tiveram que tirar o pé.

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