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Renato Mauricio Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Do inferno ao céu, o percurso do Flamengo, de Paulo Sousa a Dorival

Renato Maurício Prado

14/08/2022 22h35Atualizada em 14/08/2022 22h53

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Dorival é muito bom ou Paulo Sousa era muito ruim? A combinação das duas alternativas, ambas corretas, explica como o atual treinador recebeu, do antigo, um time em frangalhos, na décima quarta posição na tabela, e agora ocupa o segundo lugar, a nove pontos do líder Palmeiras, diferença ainda grande, que deve ser toda colocada na conta do desastroso português.

Cada jogo, cada entrevista, cada comparação evidenciam a abissal diferença dos trabalhos de um e outro. Se Sousa tivesse sido demitido, como deveria ter sido, no dia seguinte à perda do tão sonhado tetracampeonato estadual, muito provavelmente o Flamengo estaria disputando o Brasileiro cabeça a cabeça com o time de Abel Ferreira. Não foi e, por isso, as principais possibilidades de título para o rubro-negro carioca estão agora nas Copas - a do Brasil e a Libertadores.

É admirável o que faz Dorival Júnior, ao montar duas equipes eficientes, atuando em sistemas distintos e não só ganhando, mas também jogando bem. Importante lembrar: Paulo Sousa não foi capaz de fazer nem sequer uma! Quantos times da Série A podem ser considerados mais fortes que esse Flamengo B, com Cebolinha, Pedro, Arturo Vidal, Victor Hugo, Ayrton Lucas, Fabrício Bruno, Pablo etc?

Por que a defesa de Sousa era uma peneira e a de Dorival se mostra quase inexpugnável, com os mesmos zagueiros jogando com segurança nunca vista - que o diga o antes execrado e agora elogiado Léo Pereira? Uma pista? O europeu achava que todos tinham que se adaptar ao seu esquema e os engessava nele (mesmo raciocínio torto de Domènec Torrent).

Já o brasileiro respeita as características de seus jogadores e monta sua estratégia de forma a extrair o melhor deles. Está ai, inclusive, a explicação de o time reserva jogar de uma maneira e o titular de outra. Faz sentido querer que um ataque formado por Gabriel, Pedro e Arrascaeta, atue da mesma forma que outro, com Marinho, Lázaro e Cebolinha?

Um dos exemplos mais claros do ótimo trabalho de observação feito por Dorival é o posicionamento de Éverton Ribeiro que, com Paulo Sousa, chegou a ser escalado como ala esquerda e, mesmo quando voltou à direita, tinha que fazer a ala, indo e vindo numa função para a qual já não tem mais pernas. Júnior realocou-o no meio-campo como volante, pela direita, diminuindo o espaço que tem que percorrer e preservando seu fôlego, em prol de seu talento. Bingo!

O Flamengo de Dorival ainda não ganhou nada e pode ser até que não ganhe. Mas voltou a ser um adversário de respeito em todas as competições que disputa, o mínimo que se deve exigir de um elenco tão caro e qualificado. Seu grande adversário é o calendário apertadíssimo, que vem sendo driblado com a criação do Menguinho (o time B), que possibilita que se poupe o Mengão (o titular).

A boa notícia é que ambos só têm dado alegrias aos torcedores. Ou alguém tem saudades do sofrimento que era ver todos jogos sob o comando de Paulo Sousa?