PUBLICIDADE
Topo

Renato Mauricio Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Trabalho de Dorival escancara incompetência de Paulo Sousa

só para assinantes
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

07/07/2022 10h27Atualizada em 07/07/2022 10h27

Dorival Júnior recebeu de seu antecessor, Paulo Sousa, uma equipe em frangalhos. Escalação indefinida, péssimo condicionamento físico e completa desorientação tática. Terra arrasada. Em menos de um mês, fazendo apenas o feijão com arroz bem temperado, o novo treinador devolveu ao torcedor do Flamengo o prazer de ver seu time jogar, a ponto de, na quarta vitória consecutiva, produzir um recital de futebol, na goleada de 7 a 1 sobre o Tolima.

Quem disse que Pedro e Gabigol não podiam jogar juntos? Doménec Torrent, Rogério Ceni, Renato Gaúcho e Paulo Sousa sempre resistiram à ideia. Pois Dorival está encontrando uma forma de usá-los ao mesmo tempo. Sim, ele quer que a dupla participe do "perde, pressiona", ainda no campo de ataque. Mas qual a dificuldade para que ambos façam isso?

Na entrevista coletiva, pós goleada, Dorival lembrou, inclusive, que nos tempos em que treinou o Santos, Gabigol jogava com Ricardo Oliveira. E confessou que, desde que acertou com o Flamengo, tinha a intenção de usá-lo ao lado de Pedro. Palmas para ele.

Ao reestabelecer a tradicional linha de quatro zagueiros, com um volante fixo à frente deles e dois outros, pelos lados do campo, o treinador arrumou a defesa e encontrou nova posição para Éverton Ribeiro, que não tem mais fôlego para o vaivém pela direita. Além disso, deu liberdade para o trio ofensivo formado por Gabigol, Pedro e Arrascaeta. E o futebol rubro-negro voltou a fluir.

Com a eliminação do River Plate, o caminho para a final da Libertadores parece palatável. Ao menos, não há mais nenhum bicho-papão pela frente. O Corinthians (adversário do próximo domingo, pelo Brasileiro) não chega a ser um oponente assustador e, passando às semifinais, o duelo será contra Talleres ou Vélez.

O Talleres ficou em segundo lugar no grupo do Flamengo (que o derrotou por 3 a 1, no Maracanã, e empatou em 2 a 2, em Córdoba) e o Velez, responsável pela eliminação do River Plate, nas oitavas, também se classificou em segundo lugar, na chave do Estudiantes, do Nacional e do Red Bull Bragantino, com duas vitórias, dois empates e duas derrotas.

Voltando à goleada sobre o Tolima, além da inesquecível atuação de Pedro, autor de quatro gols e de dois passes geniais, para o chute de Gabigol, no segundo gol, e para a conclusão de Matheus França, no sexto, vários outros jogadores tiveram atuações individuais brilhantes, facilitadas por um esquema simples, mas muito bem encaixado.

Rodinei, por exemplo, teve talvez o seu melhor desempenho com a camisa rubro-negra. Gabigol voltou a jogar muito bem, Arrascaeta, idem, Léo Pereira, também. E João Gomes foi, uma vez mais, um monstro no meio-campo, bem acompanhado por Thiago Maia. Na verdade, ninguém jogou mal - com direto a ótimas entradas dos jovens Victor Hugo e Matheus França.

Como se encaixarão Cebolinha e Arturo Vidal nesse time? Problema para Dorival Júnior. Um ótimo problema. Fato é que o torcedor do Flamengo readquiriu o direito de sonhar. E só tem que lamentar quanto tempo foi perdido com o péssimo Paulo Sousa, que jamais deveria ter sido contratado e, no mínimo, demitido após a derrota no Carioquinha...