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Briga entre técnico e goleiro expõe incompetência dos cartolas do Flamengo

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Renato Maurício Prado

19/05/2022 21h56Atualizada em 20/05/2022 01h00

Em seu momento de maior pujança financeira, o Flamengo tem um dos piores departamentos de futebol de sua história. De que adianta faturar mais de R$ 1 bilhão por ano se os escolhidos para administrar o que há de mais importante no clube, o seu time de futebol, responsável direto pela paixão de mais de 40 milhões de torcedores, se mostram tão inábeis e incompetentes para escolher, contratar e gerir treinadores, jogadores, médicos, preparadores físicos, fisiologistas etc.?

A recente crise entre o técnico Paulo Sousa e o goleiro Diego Alves é mais um exemplo cabal da assustadora incapacidade do clube no setor. Que começa com um presidente indeciso, omisso e ausente, prossegue com um vice-presidente de futebol muito mais preocupado com sua carreira política do que com o cargo que assumiu no início de 2019 e passa por um diretor executivo inventado e inepto, um mero negociador de operações financeiras, que jamais foi um "expert" no planejamento e condução de um elenco, comissão técnica e toda a necessária e complexa estrutura de apoio.

Relembremos o lamentável episódio que transformou o que deveria ser um momento de calmaria, após a vitória sobre o Universidad Católica, num caos, contrapondo o treinador ao elenco, haja visto o número de jogadores que se dispuseram a participar da reunião no Ninho do Urubu, para defender Diego Alves das acusações de Paulo Sousa - segundo os setoristas do clube, Diego Ribas, Éverton Ribeiro, Rodrigo Caio, David Luiz e William Arão estiveram presentes. Além do controverso médico Márcio Tanure. Inexplicavelmente, o vice Marcos Braz não participou da conversa.

O princípio de motim foi causado pelo próprio Paulo Sousa ao fazer críticas públicas ao goleiro, na entrevista após a última vitória pela Libertadores. Tenha sido encomendada ou não a pergunta que levantou o assunto e originou a dura resposta (o técnico garante que não pediu que lhe arguissem nada), fato é que o desentendimento entre os dois foi vazado para um repórter, por alguém, pouco antes do início da coletiva. E o jornalista fez o que qualquer bom profissional faria. Pediu explicações. E deu no que deu.

Recapitulando: Paulo Sousa, corretamente, disse que não poderia escalar um jogador que estava há 10 dias sem treinar. Mas meteu os pés pelas mãos ao afirmar que Diego procurara Bruno Spindel para se colocar à disposição, numa autêntica "cavada" para retomar a posição de titular. O goleiro e o dirigente negaram tal versão, sustentando que foi o contrário: o atleta confessou ainda estar incapacitado para voltar ao time.

O mais lamentável nesse tosco embate é o silêncio dos cartolas, que em vez de atuarem como bombeiros deixaram o circo pegar fogo. Pelo que se sabe, Diego Alves quer agora uma retratação de Paulo Sousa. Que deverá vir após a partida contra o Goiás, quando, enfim, falarão, juntos, Braz, Spindel, Tanure e o treinador português. Imaginem se o Flamengo não ganha, como será o clima desta entrevista coletiva...

Fato é que o departamento de futebol na era Landim só funcionou quando esteve terceirizado para Jorge Jesus, o único capaz de tomar conta de tudo e afastar os cartolas do Ninho do Urubu. Quisesse mesmo o bem do Flamengo, o presidente aproveitaria o turbulento momento para fazer a faxina e a reestruturação que se faz necessária, com a saída de todos os atuais dirigentes, da atual comissão técnica e a volta do Mister.

O cartola, porém, é orgulhoso demais para admitir seus erros e vingativo o bastante para não aceitar o retorno daquele que saiu, logo após renovar seu contrato. Ainda que Jorge Jesus queira voltar, como me disse pessoalmente, na recente passagem pelo Brasil, e seja disparado a melhor opção para a vexaminosa barafunda que se tornou o futebol rubro-negro.

Pobre Flamengo...