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Renato Mauricio Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Trabalho de Paulo Sousa no Flamengo é um fracasso retumbante

Paulo Sousa vai se rendendo à maneira mais tradicional de jogar, mas nem assim tem obtido resultados - Gilvan de Souza / Flamengo
Paulo Sousa vai se rendendo à maneira mais tradicional de jogar, mas nem assim tem obtido resultados Imagem: Gilvan de Souza / Flamengo
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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

14/05/2022 22h28

Nas primeiras seis rodadas, com 18 pontos em jogo, o Flamengo conquistou apenas seis. Aproveitamento de 33,33%. Desempenho de time rebaixado. Não há desculpas aceitáveis, não há esperança plausível. Depois de mais de quatro meses de trabalho, o time de Paulo Sousa é um bando em campo e joga menos do que jogava sob o comando de todos os treinadores da era Landim: Abel Braga, Jorge Jesus, Domènec Torrent, Rogério Ceni e Renato Gaúcho. Um desastre completo.

No empate com o Ceará, que vinha de três derrotas consecutivas e está na zona do rebaixamento, culpar apenas Hugo (que falhou no segundo gol cearense) é injusto e pouco fiel ao que se viu na partida. Até porque o goleiro fizera, antes, três defesas salvadoras, duas delas na etapa final, quando a equipe de Paulo Sousa foi engolida e acuada pela de Dorival Jr., no gramado irregular do Castelão.

Impossível ignorar que o rubro-negro deu apenas um chute a gol durante todo o segundo tempo, no qual o lance de maior perigo do ataque carioca foi uma cabeçada de Pablo, na trave, após outra bola parada de Arrascaeta (autor dos dois cruzamentos dos dois gols de William Arão, na primeira etapa). Uma vez mais, o Flamengo foi um deserto de ideias, jogadas e esquemas táticos minimamente eficientes.

Após tentar, sem sucesso, implantar o seu sistema de jogo posicional, com três zagueiros e dois alas espetados nas linhas laterais, Paulo Sousa vai se rendendo à maneira mais tradicional de jogar, mas nem assim tem obtido resultados. Gabigol, agora, sabe-se lá o porquê, recua muito mais do que fazia antes e a área rival, na maioria das vezes, é um deserto pouquissimamente povoado pelos atacantes de vermelho e preto. Não à toa, os gols só costumam sair em lances de bola parada, como no decepcionante empate em Fortaleza.

Chega a ser inacreditável que alguém acredite que os "processos" de Paulo Sousa ainda levarão o Flamengo a algum lugar que preste. É claro que o treinador não é o único culpado - o departamento de futebol inteiro está sucateado e perdido, culpa direta do seu vice-presidente de futebol, Marcos Braz, recebido pela torcida no Ceará com merecida chuva de pipocas.

Fosse outro o presidente, que não o sempre omisso e ausente Rodolfo Landim, uma enorme faxina já teria sido realizada por lá. Ao que tudo indica, entretanto, isso só acontecerá, se acontecer, quando o Flamengo não tiver mais chances em nenhum dos títulos que ainda disputa: Libertadores, Copa do Brasil e Brasileiro.

Ou jogando esse futebolzinho mequetrefe alguém, em sã consciência, acredita que o elenco mais caro do continente vá erguer alguma taça em 2022? A mais fácil delas (o tetracampeonato do Carioquinha) foi perdida de forma incontestável. E de lá pra cá, em vez de o time evoluir, involuiu. O trabalho de Paulo Sousa no Flamengo é um fracasso retumbante.