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Renato Mauricio Prado

OPINIÃO

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A escola de samba de Abel Ferreira e o bloco de sujos de Paulo Sousa

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

23/04/2022 22h26

Há poucos dias, Flamengo e Palmeiras empataram em 0 a 0, no Maracanã, num jogo muito elogiado pelo ótimo nível técnico, apesar da ausência de gols. Ambos voltaram a campo no sábado de carnaval fora de época e enquanto o time de Abel Ferreira seguiu evoluindo com a classe de uma boa escola de samba (massacrou o Corinthians de Vítor Pereira), o de Paulo Sousa retomou o padrão medíocre de um bloco de sujos, que o levou a perder o tetracampeonato carioca, que tinha a obrigação de ganhar, tamanha a disparidade econômica e de qualidade de elenco em relação aos rivais (dessa vez, perdeu para o então lanterna do campeonato, o Athletico Paranaense de Fábio Carille).

Com o mesmo número de pontos e jogos na tabela (cinco em 12 disputados), o rubro-negro carioca e o verdão paulista vivem realidades bem diferentes daquele equilíbrio sugerido no recente confronto. Abel é um treinador com um trabalho já consolidado e que tem opções táticas e de escalação variadas e eficientes. Paulo, ao contrário, ainda está no início da caminhada que, diante das limitações e obsessões exibidas, talvez seja merecidamente bem mais curta.

Abel repetiu a escalação que enfrentou o Flamengo; Paulo Sousa resolveu poupar, de saída, quatro titulares daquele jogo. O português do Palmeiras substituiu seus jogadores mais desgastados quando a vitória sobre o Corinthians já estava garantida. O do Flamengo lançou dois dos poupados (Éverton Ribeiro e Gabigol) para tentar, sem sucesso, reverter a derrota que acabou se consumando.

Há um abismo entre os trabalhos dos dois lusitanos. E ele não se deve apenas ao tempo de trabalho. Abel estudou o elenco que tinha nas mãos e montou o seu time e os seus esquemas a partir daí - até hoje clama por um centroavante típico, mas enquanto não o tem, encontra formas de manter a eficiência de seu ataque. Paulo insiste em ignorar as características de seus jogadores, forçando-os a atuar num sistema tático engessado que, na teoria, pode até parecer uma moderna maravilha, mas na prática revela-se um desastre completo.

Começar a partida com Lázaro (que vinha bem na esquerda) na direita e Marinho (que se consagrou pela direita) do lado oposto é daquelas decisões que espanta pelo absurdo. Poupar Éverton Ribeiro (que foi o grande destaque do time, nos últimos jogos), idem. Por que não começou com ele e com Gabigol (mantendo a formação que começava a encaixar) e deixou para poupá-los ao final? Foram opções, no mínimo, pouco inteligentes.

Paulo Sousa foi um grande jogador, é simpático e fala bem. Lembra o nosso Paulo Roberto Falcão (que jogou muito mais que ele) e também sabe analisar futebol como poucos. Mas nunca conseguiu se firmar como treinador. Exatamente como o português rubro-negro que, na carreira, tem menos de 50% de aproveitamento, considerando todos os clubes e seleção por quais passou.

Por um misto de teimosia e ignorância, Landim, Braz e cia., vão mantê-lo e ignorar a possibilidade real de trazer de volta Jorge Jesus. O único treinador capaz de mascarar o tamanho da assustadora incompetência futebolística dessa desastrada administração.