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Renato Mauricio Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

RMP: David Luiz expõe gatos gordos e mimados do Flamengo

Marinho marca David Luiz em jogo entre Flamengo e Santos - Thiago Ribeiro/AGIF
Marinho marca David Luiz em jogo entre Flamengo e Santos Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

07/12/2021 02h19Atualizada em 07/12/2021 12h34

Encerrada a melancólica despedida do Flamengo do Maracanã neste Brasileiro, com derrota para o Santos por 1 a 0, David Luiz parou para dar entrevista, na saída do gramado. Sem meias palavras e de forma exemplar, o zagueiro colocou o dedo na ferida rubro-negra. Perguntado como reagia ao coro de "time sem-vergonha" com que a torcida extravasava sua revolta por uma atuação medíocre, o zagueiro, que fez carreira internacional de inegável sucesso, não se fez de rogado:

"Cabe a nós trabalhar. Cabe a nós reconhecer o que a gente não fez de bom. Cabe a nós ter a humildade de reconhecer que precisamos melhorar muito pro ano que vem. Cabe a nós reconhecer que no futebol você tem que ter brio, tem que ter força de vontade todos os dias, tem que saber que para representar um grande clube você tem que estar trabalhando todo dia no limite e esse grupo precisa amadurecer, esse grupo precisa crescer e ficam essas as lições pro ano que vem"

Não sei como o elenco reagirá a tais palavras, que escancaram um problema do qual já se desconfiava, com o fim dos treinos integrais, o veto às programações matinais e o abandono da concentração. Depois do ano mágico de 2019, os técnicos que sucederam Jorge Jesus e os próprios dirigentes foram, pouco a pouco, se rendendo às vontades do vitorioso grupo que, naturalmente, se encheu de moral e vontades devido às conquistas de um ano que beirou a perfeição.

Seja qual for o próximo treinador, e tudo indica que será um português (Jorge Jesus ou Carlos Carvalhal), precisará assumir, com firmeza, as rédeas de todo o departamento de futebol e impor limites que parecem já não existir, desde que o Mister se foi. Amigos, parceiros, colegas e que tais foram contratados nas mais diversas áreas do clube ligadas aos jogadores. E, naturalmente, nada fizeram capaz de contrariá-los.

O Flamengo avassalador de 2019, que parecia entrar em campo sempre faminto e com a faca nos dentes, deu lugar a um time de gatos gordos e mimados cuja forma física foi piorando à medida que o tempo passava e as contusões (frutos de uma preparação física leniente e de um departamento médico incompetente) se acumularam de forma assustadora.

O diagnóstico preciso de David Luiz, após a despedida melancólica, no Maracanã, deve servir como um norte para o próximo técnico e para o próprio clube, se quiser voltar a ganhar títulos importantes em 2022. Não basta a inspiração. É preciso muita transpiração. E o Flamengo parece ter se esquecido disso.

Nota zero

Gabigol teve atuação bisonha diante do Santos. Mas, pior que perder o pênalti (cobrado na trave) e um par de oportunidades diante do gol, foi o lamentável ataque de pelanca que deu com João Gomes, porque esse não lhe passou a bola numa jogada em que, depois de se livrar de três marcadores, chutou a gol, obrigando o goleiro santista João Paulo a fazer uma defesa espetacular.

Esse não é o papel de um líder de grupo. De um artilheiro, de um ídolo da torcida. Essa é uma atitude de um jogador mimado. De um gato gordo que tem perdido muito mais chances do que aproveitado. Nota zero, Gabigol. Para a sua lamentável atitude e lamentável atuação.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL