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Renato Mauricio Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

RMP: Geração de 85 virou um problemão para o Flamengo

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

01/12/2021 01h29Atualizada em 01/12/2021 01h34

A chamada Geração de 85, importantíssima no ano de ouro de 2019, sob o comando de Jorge Jesus, deixou de ser um valioso trunfo para o Flamengo e se tornou um problema. Um grande problema. Fazem parte dela, Diego Ribas, Filipe Luís e Diego Alves. Um pouco mais jovem, mas agregado ao grupo, está Éverton Ribeiro. Eles são os principais líderes do elenco rubro-negro. Os capitães, os "donos do vestiário". E nesta temporada que vai se encerrando, fizeram mais mal do que bem ao time.

Fisicamente, todos vivem acentuado declínio, que, naturalmente, leva à decadência técnica. As contusões musculares se sucedem e a perspectiva para a próxima temporada é ainda pior. Não seria grave se aceitassem assumir papel de coadjuvantes. Mas eles não se conformam com isso. E, como dominam o grupo, influenciam na escolha dos treinadores que os dirigem (ou, seria mais correto dizer, são dirigidos por eles?).

Nas decisões de não treinar mais de manhã e nem sequer se cogitar atividades em tempo integral, estão as digitais dessa turma. Bem como no fim da concentração, que até pode não fazer falta para eles, jogadores com larga experiência no responsável futebol europeu, mas faz muita diferença para os mais jovens.

Tal influência pode ser constatada na partida contra o Ceará, quando Maurício Souza, ex-técnico dos juniores, decidiu não começar com Arrascaeta, e deixou Michael no banco, para escalar Diego, que ainda recebeu de quebra a faixa de capitão. Nada poderia ser mais simbólico.

Matheuzinho, que jogou porque Isla sentiu um problema muscular na final da Libertadores, mostrou, uma vez mais, que deveria ter sido ele o titular contra o Palmeiras, no lugar do chileno. Assim como Ramon deveria estar no banco, em vez do limitado Renê. E por que isso não aconteceu? Porque Renato preferiu ouvir a Geração de 85, que sempre aconselha a prioridade aos "cascudos" em detrimento dos mais jovens.

Se Marcos Braz não tivesse se tornado mais um vassalo dessa turma, não teria renovado antecipadamente os contratos dos "velhinhos" por mais uma temporada. Mas se curvou e renovou-os. E agora o próximo treinador que descasque esse abacaxi.

O Flamengo precisa contratar, com urgência, um novo goleiro, um zagueiro (alguém acha que Rodrigo Caio e até David Luiz são fisicamente confiáveis?), um lateral-esquerdo (a panturrilha de Filipe Luís já abriu o bico) e um meia para eventualmente substituir Arrascaeta ou Éverton Ribeiro, outro que não joga nada faz tempo.

A Geração 85 já deu o que tinha que dar. E daqui pra frente, só vai atrapalhar. O mais sensato seria dispensar Diego Alves e Diego Ribas e agregar Filipe Luís à nova comissão técnica, pois ele quer ser treinador no futuro e demonstra ter enorme potencial para isso. Quanto a Éverton Ribeiro, que tal oferecê-lo aos árabes por um precinho de Black Friday?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL