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Renato Mauricio Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

RMP: Adeus ao Brasileiro pode beneficiar Fla na Libertadores

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

24/10/2021 00h20Atualizada em 24/10/2021 00h24

Os inúmeros desfalques, claro, pesam. Principalmente pelo fato de estarem entre eles três dos principais jogadores do elenco: Arrascaeta, Gabigol e Bruno Henrique. Além do trio, Pedro, o melhor reserva do elenco, e Filipe Luís, baluarte da equipe bicampeã brasileira, ficaram fora do Fla-Flu. Mas nem isso justifica atuação tão deplorável do Flamengo, na derrota inapelável para o Fluminense, resultado que praticamente sepulta as esperanças na conquista do tricampeonato nacional consecutivo.

Independentemente dos méritos tricolores, erros individuais e coletivos se acumularam do lado rubro-negro. De Renato Gaúcho a Renê, que se sabe lá o porquê continua a ser escalado, já que vem falhando em todos os jogos nos quais participa. Diante do Fluminense não foi diferente, sendo responsável direto em dois dos três gols tricolores. Por que não joga Ramon, joia das divisões de base? Ninguém consegue entender.

A insistência com o medíocre lateral-esquerdo, entretanto, foi apenas um dos diversos equívocos do treinador. Com tantos desfalques, não faz sentido querer que o time jogue da mesma forma que atua completo. Michael não é Bruno Henrique; Andreas não é Arrascaeta; Vitor Gabriel não é Gabigol, nem Pedro, e Thiago Maia (que está mal) não é Arão (que foi poupado). Como querer que atuem da mesma maneira?

Com uma equipe tão desfigurada, o recomendável seria jogar de forma mais prudente e não como o adversário esperava. Ao avançar as linhas e priorizar o toque de bola no campo do adversário, Renato fez exatamente o que Marcão queria. E deu no que deu. Não teria sido mais inteligente marcar um pouco mais atrás e forçar o Fluminense a sair?

Ao escalar Diego no meio-campo, o mais aconselhável teria sido usá-lo como meia e recuar Andreas Pereira para a posição que mais gosta, a de segundo volante. Mas Portaluppi manteve o jogador do Manchester United avançado, onde rende menos. E, recuado, Diego esteve mal. A ponto de ser, corretamente, substituído, no intervalo. No final, a derrota por 3 a 1 foi incontestável. O Fluminense poderia até ter goleado.

No entanto, por mais dolorido que seja para a maior torcida do país, dar adeus ao Brasileiro pode ser saudável para o Flamengo. O foco principal do clube, queiram ou não, é o tri da Libertadores - que leva à disputa do Mundial. E há ainda a Copa do Brasil.

Afastado da luta pelo tri consecutivo, Renato poderá esperar a recuperação de seus craques e treiná-los adequadamente para as decisões que tem pela frente. Se vencer a principal competição do continente, todos os seus pecados serão perdoados. Se perdê-la, talvez nem a conquista da Copa do Brasil seja capaz de salvá-lo.

Renato Gaúcho teve um início fulgurante à frente do "elenco de 200 milhões", mas seu trabalho começa a claudicar - o Flamengo jogou mal contra o Cuiabá, o Athletico Paranaense e o Fluminense. Ainda assim, me parece uma insanidade querer substituí-lo na reta final da temporada.

Pensando em 2022, a análise pode ser diferente - e um treinador estrangeiro continua a ser uma alternativa muito interessante. Mas se Renato for campeão da Libertadores, como substituí-lo? As cenas dos próximos capítulos rubro-negros prometem ser emocionantes.

Joia rara

John Kennedy, moleque bom de bola e artilheiro do Fluminense nas divisões de base, já deveria ser titular do comando de ataque do time das Laranjeiras faz tempo. Depõe contra Roger e Marcão tê-lo mantido na reserva de Fred, Bobadilla e Abel Hernandez por tanto tempo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL