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Renato Mauricio Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

RMP: Seleção de Tite é um breve contra o tesão futebolístico

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

07/10/2021 23h13Atualizada em 08/10/2021 12h43

Quem assistiu ao emocionante e tecnicamente espetacular duelo entre Bélgica e França, na semifinal da Liga das Nações da Europa (3 a 2 para os franceses, de virada), e viu o tenebroso duelo entre Brasil e Venezuela, pelas semifinais sul-americanas, não pode ter dúvida. O futebol que praticamos por aqui é de segunda divisão no esporte mundial.

A seleção brasileira, outrora sinônimo de arte e de encantamento (até mesmo quando não vencia, como em 1982), se transformou, sob o comando de Tite, num autêntico breve contra o tesão futebolístico. Algo extremamente desagradável de ver. Impossível de admirar. A que ponto chegamos.

Os primeiros 45 minutos contra a Venezuela (lanterna de uma competição que tem um nível fraquíssimo, autêntica Me Engana Que Eu Gosto) foram de exasperar um frade de pedra. Perdeu por 1 a 0, com justiça. Não mostrou rigorosamente nada. Nem um esquema minimamente definido, nem uma jogada ensaiada, nada, rigorosamente nada. Um desastre! Um vexame!

Após o intervalo, o rendimento melhorou um pouco (era impossível piorar), graças às entradas de Raphinha, Vinícius Jr. e Antony. Mas nada que justifique qualquer tipo de entusiasmo. Apenas o suficiente para virar um jogo no qual a vitória (fácil) era obrigatória, diante da extrema fragilidade do adversário.

Do último Mundial para cá, a seleção de Tite involui jogo após jogo e, no momento, parece mais perdida que nunca. Qual a escalação ideal se a Copa começasse amanhã? Nem o treinador sabe. O que constatamos é que sob o seu comando, nenhum dos convocados consegue render nada nem sequer parecido com o que apresentam em seus clubes. Vide Gabriel Jesus, Gabigol, Guilherme Arana, Vinícius Jr. e tantos outros. Por que será?

Três anos após a derrota na Rússia, o treinador continua convocando jogadores que fracassaram por lá e não consegue promover uma renovação consistente. Continua refém de Neymar, o único jogador realmente fora de série do grupo. E que nem sequer atravessa boa fase. Vide o seu rendimento no Paris Saint Germain.

Estamos mal parados. Muito mal parados em relação à próxima Copa do Mundo. Acreditar que o "professor Adenor" nos levará ao hexa é mais ou menos como crer em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, Mula sem Cabeça. Boitatá, Negrinho do Pastoreio e por aí vai. Acredita quem quiser...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL