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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

RMP: Atuação pavorosa revive fantasma de Cabañas no Flamengo

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

20/09/2021 02h12Atualizada em 20/09/2021 11h09

Nem quando foi goleado pelo Internacional, o Flamengo de Renato Gaúcho jogou tão mal. Naquela ocasião, ainda que tenha falhado sucessivamente na defesa (daí os 4 a 0), pelo menos, levou algum perigo no ataque. Nessa derrota para o Grêmio, nem isso. Não criou nem sequer uma grande chance para marcar. Não houve nenhuma defesa importante dos goleiros gremistas (foram dois). Não produziu nada em termos ofensivos. Decepção completa.

A derrota, claro, complica a luta do atual bicampeão brasileiro pelo tri consecutivo, só conseguido pelo São Paulo de Muricy Ramalho. Com o resultado, o Flamengo voltou a não depender de suas próprias vitórias para levantar o caneco. Precisará torcer por ao menos um tropeço do Atlético Mineiro de Cuca, que vem embalado em todas as competições.

Essa, porém, nem foi a pior notícia da noite para a imensa torcida rubro-negra. Preocupante é a perspectiva para o próximo jogo, contra o Barcelona de Guayaquil, na quarta-feira que vem. Se voltar a jogar tão mal, a ida à final da Libertadores (sonho maior da temporada) estará seriamente ameaçada. Uma eventual eliminação nesta semifinal seria um desastre só comparável à humilhante derrota para o América do México, com três gols de Salvador Cabañas, em pleno Maracanã.

Voltando ao jogo pelo Brasileiro, o Grêmio de Luiz Felipe Scolari dessa vez marcou bem? Até marcou. Mas esse mesmo Grêmio levou de 4 a 0, contra um Flamengo com um a menos, na Arena Gremista, e de 2 a 0, há poucos dias, no Maracanã. A grande diferença dessa vez foi a pavorosa e decepcionante atuação do rubro-negro carioca.

É justo relembrar, Renato Portaluppi vem tendo um início de trabalho espetacular no rubro-negro. Mas errou tudo na noite desse último domingo. Não enxergar que Isla, Vitinho e Michael, péssimos nos 45 minutos iniciais, deveriam ter sido substituídos, no intervalo, por Matheusinho, Thiago Maia e Bruno Henrique é inquietante. Demonstra cegueira só comparável à de seu antecessor Rogério Ceni.

Isla não pode mais ser titular (Matheusinho precisa assumir a lateral direta). E enquanto Filipe Luís não voltar, tampouco Renê merece uma vaga (Ramon é muito melhor). E Thiago Maia tem que ser titular. No lugar de Andreas Pereira ou com ele, na ausência de Arrascaeta.

Esse é, aliás, o maior problema do rubro-negro. O uruguaio faz muita falta. Muita, mesmo. Algo quase incomensurável. E precisa jogar contra o Barcelona. Nem que seja no sacrifício - ou o Flamengo está mais preocupado em deixá-lo 100% para se reapresentar à seleção uruguaia e, novamente, desfalcar ao clube que paga os seus salários?

O Flamengo pode até não ganhar os três títulos que ainda disputa. Mas não tem o direito de jogar tão mal e tão sem alma, como nesse último domingo. Ao time de Jorge Jesus jamais faltou tesão, elã, gana. Muito pelo contrário. O português perdeu apenas quatro jogos e ganhou cinco títulos. Com a derrota para o Grêmio, mesmo ostentando até agora um início superior ao do português, Portaluppi já foi derrotado duas vezes. E ainda não ganhou nada. Se vira, Gaúcho!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado