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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

RMP: Das lágrimas emocionantes de Messi ao desabafo tolo de Neymar

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

10/09/2021 01h58Atualizada em 10/09/2021 02h01

Que me perdoem Neymar e seu desabafo sem sentido; Gérson e Éverton Ribeiro, que jogaram bem na vitória sobre o Peru, e até Tite e suas enigmáticas instruções de "encurtar no setor", mais uma pérola de seu empolado e insuportável idioma derivado do "lazaronês" dos anos 90.

A noite de quarta-feira não foi de nenhum brasileiro, mas de um argentino que já foi chamado, pejorativamente, de espanhol em seu país e se emocionou às lágrimas ao exibir para a torcida, no Monumental de Nuñez, a primeira taça que levantou na seleção principal da Argentina: a Copa América deste ano, conquistada em pleno Maracanã, numa vitória por 1 a 0 sobre o Brasil.

Antes disso, Messi fez três gols (o primeiro, uma pintura), na tranquila vitória da Argentina sobre a fraquíssima Bolívia por 3 a 0. Como escreveria o saudoso mestre Armando Nogueira, o jogo? O jogo foi Lionel Messi. Um supercraque que jamais se queixou da torcida ou da imprensa, quando criticado (e muito) por não conseguir repetir, com a linda camisa nacional azul e branca, as glórias obtidas no Barcelona.

Daí, talvez a emoção incontida e as lágrimas de Messi, ao levantar o troféu, na primeira vez que a seleção Argentina jogou em seu próprio país, após vencer a competição continental. Bonito, muito bonito de ver. Obrigatório, aplaudir. De pé, como na ópera (ave, Nélson)!

Neymar e Messi voltarão a jogar juntos, nesta temporada, pelo Paris Saint Germain. Como seria bom para nós, brasileiros, que o nosso craque maior voltasse a se espelhar no melhor jogador argentino desde Diego Maradona (pessoalmente, num par ou ímpar de pelada, ainda escolheria Dieguito).

O "menino" Ney, aos 29 anos, continua a ser uma criança boba e mimada. Incapaz de entender que o fato de ser, disparado, o principal jogador do Brasil não o torna imune a críticas pelo seu comportamento, nem sempre exemplar, dentro e, principalmente, fora de campo. Difícil crer que mudará. Mas o exemplo de Lionel Messi estará novamente bem à sua frente.

Trate de aproveitá-lo, Neymar. Para o seu próprio bem e o da seleção brasileira. Se continuar a ter chiliques, como no final do jogo contra o fraquíssimo Peru, o Brasil não irá a lugar algum.

Aliás, diante do evidente descontrole emocional do camisa 10, por que Tite não tratou de substituí-lo, evitando o cartão amarelo (que poderia ser vermelho) que o tira do jogo contra Venezuela?

Tite, na verdade, é o maior problema da nossa seleção. Mas isso já é outra história, para outra coluna. Por enquanto, prefiro louvar Lionel Messi. Que, pela idade, 34 anos, já está na reta final de sua brilhante carreira. Vamos todos sentir muita falta de "La Pulga". Um monstro, dentro e fora das quatro linhas. Aprende, Neymar!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado