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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Flamengo e Palmeiras jogaram muito mal. Ganharam graças a seus goleiros

Diego Alves, goleiro do Flamengo, durante partida contra a Chapecoense válida pelo Campeonato Brasileiro de 2021 - Alexandre Vidal / Flamengo
Diego Alves, goleiro do Flamengo, durante partida contra a Chapecoense válida pelo Campeonato Brasileiro de 2021 Imagem: Alexandre Vidal / Flamengo
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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

15/07/2021 08h47

Flamengo e Palmeiras, dois dos mais fortes candidatos ao título da Libertadores, estrearam nas oitavas de final do torneio, vencendo fora de casa. Nenhum deles, entretanto, produziu futebol à altura de suas condições de favoritos e dos ótimos jogadores que têm.

Só saíram vitoriosos porque seus goleiros pegaram até pensamento. Graças aos resultados, porém, encaminharam bem suas classificações às quartas de final da principal competição do continente. Mas precisarão jogar muito mais para, de fato, disputar o título.

Mesmo diante de um adversário tecnicamente fraco, a Universidad Católica, o time de Abel Ferreira preferiu abdicar da posse de bola para explorar os contra-ataques (estratégia preferida do português). Seu gol nasceu de um pênalti, na sequência de uma cobrança de falta, em lance pra lá de discutível, com a intervenção do VAR.

Fora isso, pouquíssimo o Palmeiras produziu, mesmo tendo um banco de reservas que lhe permitiu colocar em campo, na segunda etapa, jogadores do quilate de Dudu (ainda nitidamente fora de forma), Wesley, William e Patrick de Paula. Mas nem assim o bom futebol apareceu. O resultado, sim. Garantido por um punhado de grandes defesas de Weverton, uma bola na trave e outra salva por Zé Rafael, em cima da linha. É muito difícil, agora, crer que a vaga não virá no Allianz Parque.

O Flamengo também deve o triunfo ao seu goleiro. Diego Alves fez várias defesas difíceis, salvando o seu time, que teve atuação abaixo da crítica. O gol de Michael, um dos poucos que se salvaram, contou com boa dose de sorte, já que a bola que chutou, desviou num zagueiro e encobriu o goleiro. De resto, ninguém jogou nada.

A péssima atuação da dupla de volantes, João Gomes e Tiago Maia, deixou a equipe sem ligação efetiva entre defesa e ataque e o resultado foi o isolamento de Arrascaeta e Gabigol, que só conseguiram realizar uma única grande jogada, no segundo tempo, com um lançamento longo do uruguaio que o artilheiro chutou para boa defesa do arqueiro do Defensa y Justicia.

Muito pouco. E não dá nem para culpar Renato Gaúcho, que só deu um treino e praticamente não mudou nada, nem poderia - embora muita gente já enxergasse modificações mirabolantes na forma de marcação e de saída de bola. Balela. O que mudou, e piorou muito, foi a qualidade da ligação defesa-ataque, por causa das ausências de William Arão e Diego.

O que o novo técnico rubro-negro fará daqui pra frente, só poderá ser avaliado numa sequência de jogos, com um mínimo tempo para treinar. A grande dúvida, no momento, é saber se Renato poupará os titulares no jogo de domingo, contra o Bahia, pelo Campeonato Brasileiro. Se ainda estivesse no Grêmio, com certeza, pouparia. No Flamengo, porém, a situação é diferente e o desejo do tricampeonato consecutivo é enorme, na Gávea e no Ninho do Urubu...

Más atuações à parte, não custa lembrar que os campeões costumam ser aqueles times que, mesmo quando jogam mal, conseguem vencer. E foi exatamente isso que Flamengo e Palmeiras fizeram em suas estreias na fase de mata-mata da Libertadores. Não deixa de ser um alento para rubro-negros e palmeirenses. Que, a despeito dessas más atuações, continuam fortíssimos candidatos a todos os títulos que disputam.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado