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Renato Maurício Prado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Quem segura Rogério Ceni é o vice de finanças do Flamengo

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

08/07/2021 02h24Atualizada em 08/07/2021 02h25

Coisas do Flamengo: quem segura Rogério Ceni no cargo não é mais o departamento de futebol, mas o de finanças. Até os tijolinhos do Ninho do Urubu sabem que não há mais ambiente para que o técnico prossiga o seu trabalho, de qualidade pra lá de discutível, apesar dos títulos do Brasileiro, da Supercopa do Brasil e do Carioquinha.

Já são quatro derrotas nos últimos seis jogos e a campanha no Brasileirão 2021, apesar do devido desconto que se deve dar pela ausência dos jogadores convocados para a Copa América, é decepcionante - quatro vitórias e quatro derrotas, após oito rodadas. Décimo-primeiro colocado na tabela, com apenas 50% de aproveitamento.

Os jogadores já não suportam mais os treinos, as cobranças e as decisões de Ceni. Os dirigentes tampouco. Suas escolhas estapafúrdias, como a escalação do desastroso Bruno Viana, que já estava escanteado no elenco, após diversas falhas grosseiras, deixam boquiabertos os rubro-negros, mas, apesar disso, sua dispensa e a consequente contratação de um novo treinador enfrentam forte e firme oposição do vice Rodrigo Tostes.

Responsável pelas finanças do clube, ele alega que, por causa da pandemia, os cofres estão vazios, compromissos como o pagamento da milionária multa do catalão Doménec Torrent e sua comissão, se acumulam e as receitas atuais (mesmo com a venda de Gérson) não permitem gastos extraordinários. Seu argumento é de que a dispensa de Rogério acarretaria no pagamento de nova multa e, pior, na contratação de um substituto possivelmente mais caro. Por isso, quer evitá-las ou, no mínimo, adiá-las.

Trata-se de raciocínio raso, indigno de executivo de seu quilate. Porque a manutenção de Ceni pode custar muito mais caro, caso seja prematuramente eliminado da Libertadores e da Copa do Brasil (onde estão orçadas, no mínimo, semifinais) e acabe o Brasileiro em posição abaixo do vice-campeão (premiação prevista no orçamento). E é esta a perspectiva de um time cada vez mais perdido, sem comando e jogando, nitidamente, sem tesão.

A saída de Rogério Ceni se impõe. Para desanuviar o ambiente e reestruturar minimamente o time. Até o técnico do sub-20, Maurício Souza, é capaz de melhorar a equipe. Porque piorar, é impossível. Aliás, no período em que Ceni estava com Covid a equipe rendeu mais.

Não custa lembrar que na história do Flamengo são inúmeros os exemplos de soluções caseiras que levaram a grandes títulos (Carlinhos, Andrade, Jayme de Almeida, Carpegianni e por aí vai). Ceni "flopou", como costuma dizer a garotada. E o que importa agora é que saia o mais rapidamente possível, seja qual for o substituto escolhido.

Se continuar, o prejuízo será muito maior. Em termos técnicos e, consequentemente, financeiros. Basta pegar a calculadora e fazer as contas certas, Rodrigo Tostes.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado