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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Teimosia de Ceni expõe Flamengo a derrotas como a diante do Red Bull

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

20/06/2021 01h18Atualizada em 20/06/2021 10h53

William Arão não é zagueiro e não gosta de jogar assim. O faz para atender a um desejo do técnico. Diego não é volante e, por mais que se esforce, é incapaz de dar a proteção necessária à zaga. Rodrigo Caio joga muito melhor pelo lado direito da defesa, mas acaba escalado pela esquerda.

Enquanto Rogério Ceni não se convencer disso, o Flamengo continuará a perder jogos como o que perdeu para o Red Bull Bragantino que, muito bem armado, soube explorar todas essas conhecidas deficiências do adversário e o derrotou marcando três gols em pleno Maracanã.

Diante do primeiro adversário um pouco mais forte, o sistema defensivo do rubro-negro (que não sofria gols há cinco partidas) voltou a fazer água. De que adiante melhorar a saída de bola e ter mais um armador no meio-campo se os contra-ataques são sempre um Deus nos acuda?

O Red Bull fez três gols e poderia ter marcado mais. Diego Alves foi obrigado a fazer duas grandes defesas, no primeiro tempo, e Artur desperdiçou um contra-ataque em que entrou completamente livre na área, no segundo. Em resumo, uma peneira.

Claro que os desfalques por causa dessa absurda "Cova América" cobram um alto preço. Jogadores como Vitinho e Michael seguem erráticos, como de hábito. Vinham até melhorando, nos últimos jogos, contra adversários mais fracos, mas diante do Red Bull voltaram a errar praticamente tudo o que tentaram. Michael errou até no lance do primeiro gol de Rodrigo Muniz (que fez um partidaço), pois o seu chute saiu torto e fraco, transformando-se numa "assistência" perfeita, ainda que involuntária.

A saída de Gerson (que fará um falta enorme) abre uma possibilidade de Ceni corrigir o seu sistema de defesa. Basta retornar Arão para a posição de primeiro volante e avançar Diego. O ideal seria até escalar também João Gomes, empurrando Diego para a meia-esquerda e tirando Michael. Mas, dificilmente, Ceni fará isso. Por que é vaidoso demais para reconhecer que a sua "invenção" fragiliza demais o time, ainda que melhore a saída de bola. E também porque precisaria barrar Diego, quando Arrascaeta e Éverton Ribeiro voltassem ao time, Ceni sabe que Diego é um dos líderes do grupo., E, traumatizado pelo que aconteceu no Cruzeiro, não quer brigar com nennhum medalhão...

Nem o magnífico Flamengo de Jorge Jesus jogava tão exposto. E nem por isso deixava de ser avassalador no ataque. Ceni quer, porque quer, mostrar-se ainda mais ousado que o português. Por que não lhe basta vencer. Quer se apresentar como um treinador moderno, ousado e revolucionário. Por enquanto, mostra-se apenas teimoso.

Em tempo: que baita centroavante está se mostrando Rodrigo Muniz, hein? O Flamengo que não cometa o desatino de negociá-lo agora, por dois tostões de mel coado. Valerá uma fortuna, no futuro, e pode ser fundamental na atual temporada.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado