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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Convocação de Pedro e aliciamento de Dani Alves são afrontas da CBF

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

18/06/2021 01h41Atualizada em 18/06/2021 15h54

Não satisfeita em prejudicar sistematicamente os clubes brasileiros, ao não paralisar os seus campeonatos nas datas Fifa (como acontece em todo o primeiro mundo do futebol), a CBF agora desacata seus afiliados de maneira inaceitável, como fez ao convocar um jogador, Pedro, que o Flamengo já avisara, antecipadamente, que não liberaria, e aliciar outro, Daniel Alves, do São Paulo, que nem pensava em jogar pela seleção olímpica.

O PSG disse que não autorizaria Neymar e Marquinhos a jogar a Olimpíada e eles ficaram fora da lista. O Palmeiras anunciou que não gostaria de ver Weverton relacionado e assim se fez; da mesma forma, Rodrygo tampouco foi chamado, porque o Real Madrid não queria ver seu jogador em Tóquio. Por que, então, André Jardine e Branco insistiram na convocação do rubro-negro que sabiam, de antemão, seria vetada?

Tal atitude é uma afronta. Uma tentativa desleal de criar uma crise entre o jogador e o clube, na vã esperança de forçar sua liberação. Um absurdo e mais uma prova cabal da esculhambação que tomou conta da Confederação, acéfala e sem rumo.

Bem fazem os clubes em buscar a criação de uma liga independente que diminua drasticamente o poder nefasto de um grupo de dirigentes que já teve três ex-presidentes afastados, acusados de corrupção, e um deles preso - os outros dois nem podem sair do país, pois terão o mesmo destino.

Se liberasse Pedro, o Flamengo o perderia em nove jogos! Entre eles, os dois confrontos com o Defensa y Justicia, pelas oitavas de final da Libertadores, os dois duelos da próxima fase da Copa do Brasil (ainda sem adversário definido) e as partidas contra Chapecoense, Bahia, São Paulo, Corinthians e Internacional. Faz algum sentido? Óbvio que não.

O torneio de futebol masculino nos Jogos Olímpicos é uma excrescência. A única modalidade de toda a competição na qual não estão em ação os melhores atletas do seu esporte. Trata-se de uma competição menor, boicotada pela Fifa e que não deveria fazer a CBF prejudicar seus clubes em nome de um troféu que nem sequer será inédito - afinal, o ouro foi conquistado no Rio, numa cobrança de pênaltis contra uma equipe C da Alemanha. Chega!

Jardine e Branco, entretanto, não estão nem aí para os clubes e seus campeonatos (dois deles, os mais importantes organizados pela própria CBF: o Brasileiro e a Copa do Brasil). O aliciamento de Daniel Alves, do São Paulo, foi outro absurdo da dupla. O jogador do São Paulo nem estava pensando em Olimpíada, até receber o telefonema do técnico com um canto de sereia: a possibilidade de ele conquistar um título que não tem na sua vitoriosa carreira.

Daniel Alves, agora, desfalcará o tricolor paulista nos jogos das oitavas da Libertadores e da Copa do Brasil, além de mais cinco partidas do Brasileiro. Imagine como Crespo deve estar satisfeito...

A diferença é que o São Paulo não tem moral para dizer a Daniel que não vá, na medida que lhe deve uma fortuna em salários e direitos de imagem. Não é o caso de Pedro, que o Flamengo paga regiamente e religiosamente em dia - além de arcar ainda com várias parcelas de sua compra à Fiorentina.

Daniel Alves vai, Pedro, não. Até porque a torcida rubro-negra jamais perdoaria o presidente Rodolfo Landim e seus pares se eles voltassem atrás e se rendessem à chantagem descabida da CBF.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado