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Renato Maurício Prado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Missão do misto quente do Fla é passar o bastão próximo dos lideres

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

17/06/2021 02h39Atualizada em 17/06/2021 02h41

Por conta desta absurda "Cova América", o Flamengo está sendo obrigado a jogar dez rodadas do Campeonato Brasileiro sem quatro titulares dos mais importantes (Gabigol, Éverton Ribeiro, Arrascaeta e Isla). Está momentaneamente também sem Pedro, que foi fazer amistosos pela seleção olímpica, na Sérvia, e voltou com Covid. Mas, apesar de todos os desfalques, o chamado "misto quente" do Ninho do Urubu vem dando conta do recado. Como se viu nos dois jogos contra o Coritiba, pela Copa do Brasil, e também no triunfo sobre o América Mineiro, pelo Brasileirão.

Na última atuação, vitória por 2 a 0 sobre o Coxa, no Maracanã, o time de Rogério Ceni (que estava trabalhando em "home office", por conta de ter testado positivo para o coronavírus) demonstrou bom conjunto e atuações individuais convincentes até de jogadores costumeiramente irregulares e perseguidos por boa parte da torcida, casos de Vitinho e Michael. Ambos têm mostrado claro e animador progresso.

A missão desse time cheio de reservas é se manter próximo aos líderes da tabela até a décima-primeira rodada, quando voltarão os titulares que estão disputando a malfada "Cova América". Se conseguir, deixará o Flamengo em boas condições de lutar pelo eneacampeonato brasileiro, ainda que vá perder, novamente, jogadores para a seleção, nos jogos que ainda faltam pelas eliminatórias sul-americanas.

Na tranquila vitória sobre o Coritiba, Gerson jogou muito (merecia ter feito o gol que tanto tentou), mas o time como um todo também rendeu a contento. A jogada do segundo gol, marcado por Bruno Henrique, foi uma pintura. Da construção à conclusão. Durou quase um minuto a posse de bola do rubro-negro pelo lado esquerdo de seu ataque e, quando o lado direito estava desguarnecido, um passe preciso e precioso de João Gomes deixou Matheusinho livre para cruzar na medida para Bruno Henrique marcar, liquidando a fatura.

Matheusinho, aliás, está jogando um futebol capaz de fazer Ceni pensar seriamente em deixar Isla no banco, quando o chileno retornar da Copa América. Tem se mostrado bem melhor que o titular, tanto na defesa quanto no apoio ao ataque. João Gomes é outro que evolui sem parar e pode ajudar o time a sentir um pouco menos a saída de Gerson para o Olympique. Está muito bem o garoto.

E o que dizer da defesa, que chegou ao quinto jogo consecutivo sem sofrer gols? A volta de Rodrigo Caio, certamente, contribuiu para isso, mas não custa lembrar que, nesse período, ele ficou algumas partidas fora, por conta de convocação para a seleção principal. Inegável, portanto, que o sistema defensivo, como um todo, mostra progressos. E esse era o calcanhar de Aquiles do trabalho de Rogério Ceni.

Com dois jogos adiados (Grêmio e Athletico Paranaense, ambos fora), o Flamengo tem, por enquanto, 100% de aproveitamento (duas partidas, duas vitórias). O próximo adversário é o Red Bull Bragantino, no Maracanã, no próximo sábado. Compromisso perfeito para o misto quente provar o seu valor. É um joguinho complicado...

Em tempo: faz muito bem a diretoria rubro-negra em vetar a liberação de Pedro, ou de qualquer outro jogador do seu elenco, para os Jogos Olímpicos, onde o futebol masculino é uma excrescência. Trata-se da única modalidade da Olimpíada na qual não estão em ação os melhores atletas do mundo em seu esporte. O Flamengo, precisará muito de Pedro em todos os jogos daqui pra frente, sejam no Brasileiro, na Copa do Brasil ou na Libertadores. Jardine que vá procurar um goleador em outra freguesia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado