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Renato Maurício Prado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Até nas fracas eliminatórias sul-americanas, Brasil é Neymardependente

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

09/06/2021 01h21Atualizada em 09/06/2021 01h23

Faz tempo que as eliminatórias sul-americanas deixaram de ser um bom parâmetro para avaliar como está a seleção brasileira no cenário mundial. Não custa lembrar, classificou-se em primeiro, com folga, para os Mundiais de 2006, com Parreira; de 2010, com Dunga e de 2018, com Tite. Na Copa de 2014, com Felipão, não precisou jogar porque era o país-sede.

Na hora da verdade, porém, quebrou a cara em todas essas Copas, ao cruzar com as melhores seleções europeias. No Brasil, só chegou até à semifinal, graças a um caminho camarada diante de México, Camarões, Chile e Colômbia. E aí foi humilhado pela Alemanha, na semifinal e levou uma surra da Holanda, na disputa do terceiro lugar.

Por causa desse histórico, não consigo me empolgar com vitórias como as que tivemos, sobre o Equador e o Paraguai. Nem tampouco me animam os 100% de aproveitamento nos seis primeiros jogos destas eliminatórias onde, uma vez mais, o Brasil sobra na turma, cada vez mais fraca.

O que se viu nos jogos no Defensores de Chaco e no Beira-Rio? Um time que continua a ser extremamente dependente de seu único jogador fora de série: Neymar. E, por favor, não me venham falar de Roberto Firmino, Gabriel Jesus, Casemiro, Thiago Silva, Daniel Alves e que tais. Nenhum deles foi capaz de fazer a diferença em uma Copa do Mundo.

Tampouco os que estão chegando parecem capazes de se tornar protagonistas num Mundial. São apenas bons jogadores em seus clubes onde nem são as maiores estrelas. Ao menos até agora, não brilharam com a camisa verde e amarela. Nem mesmo diante de frágeis adversários sul-americanos.

Quem garantiu os triunfos sobre Equador e Paraguai? Neymar. Com dois gols e duas assistências. Tire o camisa 10 desse time e acabou a magia. Simples assim. A seleção de Tite nem sequer consegue jogar um futebol moderno e encantador contra os fracos rivais do continente.

É verdade, o treinador conta ainda com alguns ferrenhos defensores, quase todos eles apaixonados corintianos que, com razão, lhe são extremamente gratos pelas glórias conquistadas quando passou por lá. Mas grande parte da torcida já não suporta mais seu linguajar empolado e, principalmente, o jogo sem graça de seu time. Faz tempo que se fala na Neymardependência do Brasil. E ela segue cada vez mais forte.

Traque

E o manifesto dos jogadores, hein? Melhor teria sido não divulgar nada...

Comparação

Serão disputadas, simultaneamente, a Copa América e a Eurocopa. Aqueles que se derem ao trabalho de acompanhar as duas competições poderão ver o abismo técnico e tático entre o futebol que se joga por lá e o que praticamos por aqui nesses autênticos Me Engana Que Eu Gosto em que se transformaram os jogos entre seleções sul-americanas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado