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Renato Maurício Prado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Recuperação de Vitinho e Michael vale mais que possível sexto tri do Fla

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

09/05/2021 02h09Atualizada em 09/05/2021 11h13

O Flamengo está a dois jogos de conquistar o sexto tricampeonato estadual de sua história, mas o maior ganho do rubro-negro neste Carioquinha me parece ser a recuperação de alguns jogadores até então execrados pela torcida, casos de Vitinho e Michael e em menor escala, por que não dizer, Gustavo Henrique e até Léo Pereira - os dois zagueiros foram muito firmes na goleada de 4 a 1 sobre o Volta Redonda.

As seguidas boas atuações de Vitinho e Michael não deixam dúvidas de suas evoluções e da importância que, assim, passam a ter no elenco. Não são (nem serão) do nível excepcional dos titulares, mas, recuperando a confiança, como têm demostrado, se tornam, sim, valiosas opções no banco de reservas. Uma pena que Michael tenha sentido a panturrilha e deva desfalcar a equipe por alguns jogos.

Ponto para Rogério Ceni que apostou neles, apoiou a volta de ambos mais cedo aos treinos e os tem escalado sistematicamente - ora começando, quando os principais nomes são poupados; ora entrando durante os jogos, quase sempre com bom aproveitamento.

O Estadual está servindo também para que se perceba elogiável progresso no trabalho de Ceni. A forma como enfrentou o Volta Redonda, no segundo jogo das semifinais, por exemplo, foi bem diferente daquela que normalmente utiliza com os titulares. A começar pela escalação, com Pedro e Gabigol juntos no ataque.

Sem um armador de ofício, os passes longos passaram a ser a origem das principais jogadas ofensivas rubro-negras e deles nasceram três dos quatro gols - dois em lançamentos precisos de Ramon: o primeiro para Pedro (que tocou para Gabigol marcar) e o segundo para Vitinho (que fez ele próprio o gol). Destaque no quesito também para Gustavo Henrique, que vem se revelando eficiente passador de bolas em profundidade.

Classificado para a final do Estadual e com a vaga praticamente garantida para a próxima fase da Libertadores, o Flamengo de Ceni vive o seu melhor momento. Não somente pelos resultados, mas também por voltar a jogar um futebol vistoso e eficiente, seja com o time principal, seja com os reservas.

Ainda não é a máquina impressionante de jogar bola e ganhar campeonatos como nos tempos de Jorge Jesus, mas começa a dar a impressão de que poderá chegar perto disso. Algo que, certamente, levará a torcida a se esquecer até da birra com jogadores como Vitinho e Michael e com o próprio técnico Rogério Ceni. Basta a bola continuar entrando, o time jogando bonito e os canecos chegando.

Em tempo: como está jogando o Gabigol...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado