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Renato Maurício Prado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Na final do Estadual, Rogério Ceni tem quebra-cabeça contra a LDU

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

02/05/2021 02h46

Rodrigo Caio e Gérson (e, talvez, William Arão) desfalcarão o Flamengo em Quito, no difícil jogo contra a LDU, segunda colocada no grupo que o rubro-negro lidera na Libertadores, com 100% de aproveitamento. Junte-se a eles a possível, eu já diria, provável barração de Éverton Ribeiro, após mais uma atuação decepcionante, e chega-se à conclusão de que Rogério Ceni tem um quebra-cabeça interessante para montar até terça-feira.

O substituto de Rodrigo Caio é o mais óbvio: Gustavo Henrique, que vem subindo de produção e tem revelado uma qualidade rara. Sabe fazer bons lançamentos de 30, 40 metros, como se viu, uma vez mais, na convincente vitória por 3 a 0, sobre o Voltaço - resultado que tornou o Flamengo virtual finalista do Campeonato Estadual. Caso William Arão seja vetado (Ceni acredita que ele jogará), seu lugar será de Bruno Viana, que o substituiu quando sentiu dores na Cidade do Aço.

A possibilidade de atuar com uma dupla de zaga formada por reservas, aumenta a importância da escolha de quem atuará na posição de Gérson. Em condições normais, a escolha recairia sobre João Gomes, que já o substituiu algumas vezes. Mas diante da grande atuação de Hugo Moura contra o Volta Redonda e a necessidade de proteger mais a defesa, num jogo na altitude, contra um adversário que deverá se lançar furiosamente ao ataque, não seria Moura a escolha mais adequada, adiantando Diego para a posição de segundo volante?

Por fim, volta-se à questão de Éverton Ribeiro, que segue sendo um jogador a menos quando está em campo. É verdade que, no estádio da Cidadania, até deu um belo passe que Pedro só não transformou em gol porque o goleiro defendeu seu chute com o pé.

Em compensação, desperdiçou um gol feito, que o deixou até constrangido, quando perguntado a respeito, na entrevista na saída do campo, ao final do primeiro tempo. Está mal, muito mal, o "miteiro", como a torcida carinhosamente o apelidou. E Ceni sabe disso. A impressão que ficou é que o treinador lhe deu, na primeira partida da semifinal do Carioquinha, a última chance. E ele não a aproveitou.

Saindo Éverton, quem deveria entrar? A opção mais óbvia é Vitinho, que voltou a jogar bem e não obrigaria o treinador a mudar nada em seu esquema - sabe atuar pelo lado direito do campo, tem fôlego para auxiliar Isla na marcação e velocidade para puxar contra-ataques como o que originou o lindo gol de Pedro diante do La Calera, pela Libertadores.

Pedro que, aliás, a torcida sonha ver titular, ao lado de Gabigol. Uma dupla de goleadores que, após muita resistência, na temporada passada, Rogério Ceni já até escalou junta e, ao menos na teoria, se encaixaria perfeitamente na tese de juntar no time os maiores talentos, mesmo que isso aumente a exposição e o risco defensivo - não foi isso que o próprio técnico disse, ao defender a escalação de Arão na zaga e Diego de primeiro volante?

Não creio, porém, em tamanho arroubo ofensivo contra a LDU, em Quito. Seria mais fácil até Ceni usar Michael, que fez um partidaço contra o Volta Redonda, com duas assistências para Pedro marcar, além de uma entrega comovente no auxílio à marcação. O ex-jogador do Goiás pode atuar pela direita (acho até que vai melhor por esse lado) e faria também a recomposição, que Rogério tanto valoriza.

Como se vê, são muitas escolhas. Que o treinador poderá fazer com maior tranquilidade, após a boa atuação que levou à vitória por 3 a 0 e escancarou o caminho até à final do Estadual - ou alguém, em sã consciência, acha possível que o Volta Redonda derrote o Flamengo, no segundo jogo, no Maracanã, por quatro gols de diferença?

Em tempo: Arrascaeta entrou no finalzinho, mas teve tempo para dar um passe de cinema para Pedro marcar, de peito, o terceiro gol de seu primeiro hat-trick com a camisa rubro-negra. Como joga o uruguaio! Ele é no momento e disparado o melhor jogador em atividade no futebol brasileiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado