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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Quem é o melhor do Brasil? Jogão da Supercopa não respondeu

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

11/04/2021 17h14

A decisão da Supercopa do Brasil foi um espetáculo de futebol bem jogado. Flamengo e Palmeiras buscaram a vitória o tempo todo e o empate que levou aos pênaltis foi justo pelo o que as duas equipes produziram em campo. No final, os rubro-negros ficaram com a taça, numa disputa de penalidades que teve também lances de arrepiar de lado a lado. Mas a pergunta quem é o melhor time do Brasil na atualidade ficou sem resposta.

Pra não dizer que só falei de flores (ave, Vandré!), apesar das ótimas atuações das duas equipes, os técnicos cometeram também os seus pecadilhos. A começar pela escalação de Abel Ferreira, insistindo com Felipe Melo e Zé Rafael, que já tinham jogado mal na Argentina, na vitória sobre o Defesa y Justicia, pela Recopa Sul-Americana, e novamente deixaram a desejar no primeiro tempo no Mané Garricha.

Com as entradas de Danilo e Gabriel Menino, na volta para o segundo tempo, o Palmeiras avançou seu meio-campo e tomou conta da partida. E aí começaram os erros de Rogério Ceni, sempre com dificuldade de enxergar o jogo e fazer substituições. A entrada de João Gomes era compreensível, mas não no lugar de Diego, que estava bem e sim no de Gerson, que fazia (e continuou fazendo) uma de suas piores apresentações com a camisa rubro-negra.

Outro que deveria ter saído (já no intervalo), Éverton Ribeiro continuou até perder a bola que propiciou o contra-ataque e o pênalti de Rodrigo Caio e o segundo gol palmeirense. É inacreditável que siga sendo titular. A entrada de Vitinho melhorou consideravelmente o ataque rubro-negro e, mesmo com toda a sua conhecida irregularidade, ele já deveria ter assumido o lugar de Ribeiro, entre os titulares. Até quando Ceni o continuará protegendo?

Outro que esteve mal e deveria ter sido substituído (por Bruno Viana) foi William Arão. Seu recuo para zaga melhora a saída de bola e reforça a armação no meio-campo, mas o preço pago na defesa é alto. Que o diga o drible de Rafael Veiga, no primeiro gol do Palmeiras, e a bola que levou nas costas e que só não se transformou também tento do adversário porque Diego acompanhou o lance e salvou em cima da linha. Será difícil Rogério abrir mão da invenção que é vista como seu maior acerto, mas a cada jogo parece mais claro que a opção por Bruno Viana acabará se impondo.

Deixando de lado as críticas e voltando aos elogios, mais que justificados, nesse jogão, pode-se dizer que os dois goleiros foram um show à parte. Não somente nos pênaltis (Wewerton pegou dois e Diego Alves, três), mas também com a bola rolando. O rubro-negro fez pelo menos três grandes defesas (em chute de Rafael Veiga, em falta cobrada pelo mesmo jogador e em cabeçada de Gustavo Gomez) e o palmeirense outras três (conclusões de Bruno Henrique, Vitinho e Gabigol, as duas últimas no final do jogo).

No Flamengo, gastaram também a bola Arrascaeta (mais um golaço com um "tacada de bilhar", no contrapé do goleiro) e Felipe Luís (autor moral do gol de Gabigol e um monstro na lateral e no apoio ao ataque). No Palmeiras, Rafael Veiga (que jogada linda no primeiro gol) e Danilo (até quando Abel Ferreira o manterá no banco de reservas?).

Personagens especiais de um lindo duelo que promete novos capítulos emocionantes nos próximos encontros desses que são, no momento, os melhores times do futebol do país. O primeiro deles já na rodada de abertura do Campeonato Brasileiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado