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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ceni aceitou Jesus! E o milagre da ressurreição do Fla de 2019 aconteceu

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

06/04/2021 08h28

A melhor sacada sobre a goleada de 5 a 1 do Flamengo sobre o Madureira, até então o único invicto do Carioquinha, foi de um internauta chamado Luís Paulo, nos comentários da live pós-jogo do meu canal no YouTube com José Ilan. Escreveu o inspirado rubro-negro:

"Ceni aceitou Jesus! Agora vai!"

Sim, ao que tudo indica, Rogério Ceni soube aproveitar os 14 dias da mini pré-temporada que teve com o elenco que conquistou o octacampeonato brasileiro - meio aos trancos e barrancos - para chegar à (feliz) conclusão de que o melhor caminho a trilhar era mesmo retomar o jeito de jogar do português (responsável pelo hepta).

Tal qual na gloriosa temporada de 2019, o Flamengo volta a jogar em 2021 com forte pressão na saída de bola do adversário, linha de zagueiros atuando bem avançada e liberdade para os homens do meio-campo e do ataque se movimentarem por todos os setores, em alta rotatividade, com intensa troca de passes - xô, futebol de totó e afins! A qualidade técnica de Diego, Gerson, Arrascaeta, Éverton Ribeiro, Gabigol e Bruno Henrique garante o resto.

Sim, o oponente era o frágil Madureira, assim como fora o Bangu na primeira aparição dos titulares nesta temporada de 2021. Mas o mais importante nesses dois jogos foi ver o time rubro-negro voltar a encantar, com um futebol vistoso e eficiente, como não se via desde que Jorge Jesus resolveu voltar para Portugal.

A primeira prova de fogo desse renascido time rubro-negro será no próximo dia 11, contra o Palmeiras, pela Supercopa do Brasil, em Brasília, no inacreditável horário das 11 horas da manhã - a CBF e a Rede Globo, realmente, não estão nem aí para a qualidade do jogo e a saúde dos jogadores.

Os atuais campeões da Libertadores e da Copa do Brasil, dirigidos pelo competente lusitano Abel Ferreira, serão, com certeza, um oponente bem mais complicado e perigosíssimo, acima de tudo por sua reconhecida qualidade nos contra-ataques.

Exatamente por isso, muitos torcedores do Fla temem pela "avenida Isla/Arão" no lado direito da defesa, contra a velocidade de Rony e a efetividade de Luís Adriano. Faz sentido. Mas, não custa lembrar, essa é a maior aposta de Rogério Ceni (o recuo de Arão para a zaga e a escalação de Diego como primeiro volante) e, agora que "aceitou Jesus", a única diferença marcante do seu time para o do português.

William Arão ainda tem claras dificuldades na zaga, principalmente em termos de posicionamento - falhou no gol do Madureira, assinalado por um atacante que ele ignorou na cobrança de escanteio. Mas é inegável que melhora muito a saída de bola do rubro-negro e contribui na armação, com passes verticais, como o que originou o gol de Gabigol, contra o Bangu.

Diego, por sua vez, subiu muito de produção ao jogar mais recuado e, mesmo com funções defensivas (que vem cumprindo com eficiência), tem se tornado peça importante no meio-campo, ao lado de Gerson e Arrascaeta. Até gol fez contra o Madureira.

O custo/benefício dessa escolha, bem sucedida contra adversários mais fracos, será posto à prova diante de rivais mais fortes, como o Palmeiras. Em caso de insucesso, Rogério sempre terá a possibilidade de voltar a jogar com dois zagueiros tradicionais caso queira - podendo também devolver Arão ao posto de primeiro volante.

São escolhas a serem feitas durante a temporada. Para os torcedores do Mais Querido, entretanto, o importante é que Ceni "aceitou Jesus". E, voltando a jogar como em 2019, tudo fica mais fácil, e o Flamengo volta a ser forte candidato a todos os títulos que disputar.

Em tempo: como era mesmo aquela história de que era impossível voltar a jogar como nos tempos de Jesus, pois os treinos de cada treinador eram diferentes, as cabeças e convicções de cada um únicas, etc, etc?

Quanta bobagem...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado