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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Despedida dos reservas do Fla decepciona, mas saldo é positivo

Gabriel, do Flamengo, lamenta chance perdida diante do Boavista: frustrante empate em 1 a 1 - André Fabiano/Estadão Conteúdo
Gabriel, do Flamengo, lamenta chance perdida diante do Boavista: frustrante empate em 1 a 1 Imagem: André Fabiano/Estadão Conteúdo
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

28/03/2021 11h42

Foi muito fraca a atuação dos reservas do Flamengo, reforçados por Gabigol, na despedida do time B, no frustrante empate em 1 a 1 com o Boavista (décimo colocado na tabela), no deplorável pasto de Bacaxá.

Na próxima rodada, contra o Bangu, os titulares e (finalmente!) o técnico Rogério Ceni estarão de volta, após uma mini pré-temporada de 15 dias. O foco principal é a disputa da Supercopa do Brasil, contra o Palmeiras, no próximo dia 11, inicialmente marcado para o Mané Garrincha, em Brasília.

O saldo da participação de boa parte desse grupo mesclado por jovens e reservas, dirigido por Maurício Souza, entretanto, pode ser considerado positivo, com vistas ao restante da temporada rubro-negra.

Nas partidas iniciais da Taça Guanabara, destacaram-se cinco jogadores: Matheusinho, Bruno Viana, Hugo Moura, João Gomes e Rodrigo Muniz. Desses, talvez só o zagueiro seja titular logo - por conta da ausência de Rodrigo Caio, que ainda se recupera de uma contusão muscular. Viana, que estreou na quarta rodada, teve atuações convincentes, mostrando-se firme na marcação e seguro nas saídas de bola.

Bruno Viana - Alexandre Vidal/Flamengo - Alexandre Vidal/Flamengo
Zagueiro Bruno Viana durante treino do Flamengo: vem de atuações convincentes
Imagem: Alexandre Vidal/Flamengo

Já na lateral-direita, a visível subida de produção de Matheusinho foi um dos motivos que levaram a diretoria a não querer gastar mais do que orçamento permitia, com a volta de Rafinha. No final da partida contra o Boavista, ele sentiu o músculo posterior da coxa direita e talvez só volte nas finais do Estadual, mas já dá à comissão técnica a tranquilidade de ter um reserva confiável para Isla.

Hugo Moura e João Gomes talvez disputem em breve a vaga de primeiro volante, principalmente se William Arão for mantido na zaga. Com a entrada de um deles, Diego passaria a ser o reserva de Arrascaeta, o que elevaria a qualidade do banco de reservas e reforçaria o poder de marcação do meio-campo, sem perder eficiência na saída de bola. Hugo e João desarmam e passam bem. E ambos ainda têm uma vantagem sobre o camisa 10: chutam forte e com boa pontaria, de fora da área.

Rodrigo Muniz, por sua vez, dificilmente será titular, num grupo em que estão Gabigol e Pedro. Mas seu faro de artilheiro e sua qualidade de ótimo cabeceador o tornam uma alternativa interessante em determinadas situações de jogo. E Ceni não esconde a admiração por seu futebol.

Em um balanço final, pode ser considerada positiva ainda a recuperação, ao menos parcial, de Michael, Vitinho e Léo Pereira. A torcida, com razão, olha o trio com enorme desconfiança. Mas, más lembranças à parte, todos mostraram evolução nos três jogos em que foram escalados.

O gol contra o Boavista, inclusive, nasceu de uma linda jogada que começa com um passe longo e preciso de Léo Pereira, um toque perfeito de Renê (outro contestado), um cruzamento na medida de Michael e o toque final de Vitinho. Nenhum dele mostrou futebol para ser titular. Mas todos ainda podem ser reservas úteis. Principalmente, se usados com parcimônia e inteligência.

A despeito das contratações de Atlético Mineiro, São Paulo, Grêmio, Internacional e Palmeiras, a constatação é que o Flamengo ainda é um dos melhores elencos do país e tem condições de brigar, com boas possibilidades, por todos os títulos que disputará.

Desde que, é claro, Rogério Ceni consiga fazer esse time voltar a jogar, regularmente, um futebol à altura dos excelentes jogadores que possui. Algo que, apesar do bicampeonato brasileiro, ainda não se viu, desde a saída de Jorge Jesus.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado