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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Uma bomba santa e o pereba vira herói do jogo. Assim é o futebol

Max, do Flamengo, comemora seu gol sobre o Nova Iguaçu - Marcelo Cortes / Flamengo
Max, do Flamengo, comemora seu gol sobre o Nova Iguaçu Imagem: Marcelo Cortes / Flamengo
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

03/03/2021 08h33

O futebol é mesmo um esporte único. Permite que um jogador que era um dos piores, senão o pior em campo, se torne o herói da partida com um único toque na bola, no último lance. Foi o que aconteceu com o jovem rubro-negro Max, que substituiu Daniel Cabral nos minutos iniciais do segundo tempo e errou praticamente tudo, menos a bomba santa que acabou entrando no ângulo do roliço e veterano goleiro Luís Henrique, do Nova Iguaçu, garantindo assim, ao apagar das luzes, a vitória magra do Flamengo na estreia do Carioquinha.

Fora o golaço, que assegurou três pontinhos importantes num campeonato por pontos corridos até o quadrangular final, o octacampeão brasileiro não teve nada a comemorar na opaca e decepcionante apresentação de seu time de garotos. A zaga, formada por Noga e Natan, vá lá, mostrou-se segura. Mas o restante do time foi uma decepção só.

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Até jogadores reconhecidamente talentosos, como Ramon, João Gomes, Daniel Cabral e Lázaro, estiveram em noite pra lá de apagada. O último, então, herói do título mundial da seleção brasileira sub-17, teve atuação constrangedora. Só não foi pior que Max (até fazer o golaço) e Rodrigo Muniz, um centroavante de pouquíssimos recursos técnicos, um "bode cego", diria meu pai, em sua costumeira e divertida irritação com jogadores que brigavam com a bola.

Por duas vezes, Muniz teve, em seus pés, a oportunidade para levar o Flamengo ao gol. Na primeira, cercado por dois adversários, dentro da área, tinha o companheiro Tiaguinho absolutamente livre na marca do pênalti, esperando o passe para marcar. Preferiu ele mesmo o chute, que saiu um peteleco, nas mãos do goleiro.

Pouco depois, viu-se ele mesmo diante do arqueiro do Nova Iguaçu. Era só escolher o canto, tocar e correr pro abraço. Pois, dessa vez, optou pelo passe, malfeito, para Lázaro, que entrava do outro lado. Resultado: duas grandes oportunidades desperdiçadas por suas escolhas equivocadas.

Vendo Rodrigo Muniz apanhando da bola durante os 90 minutos diante de um adversário dos mais fracos, torna-se ainda mais incompreensível o encantamento de Rogério Ceni com ele. O técnico, não custa lembrar, em mais de uma ocasião o colocou para jogar ao lado de Pedro, depois de tirar de campo ninguém menos que o artilheiro Gabigol.

Sua explicação? Rodrigo Muniz ajuda na "recomposição"! Recomposição de que, cara-pálida? Do futebol de pernas de pau? É por essas e por outras que, insisto, o atual treinador do Flamengo, apesar da conquista do título brasileiro, ainda precisará evoluir muito para fazer o melhor elenco do país jogar um futebol à altura dos craques que possui - e, obviamente, Rodrigo Muniz não está entre eles.

Natal Rubro-Negro

Hoje é natal para os torcedores do Flamengo. O dia em que, há 68 anos, em Quintino, nasceu o Messias rubro-negro Arthur Antunes Coimbra, o Arturzinho, o Arturzico, o Zico, o craque mais brilhante a envergar o Manto Sagrado da Gávea em todos os tempos. Saúde, paz e longa vida àquele que deu as maiores alegrias (e foram tantas!) à Nação Rubro-Negra.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado