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Renato Maurício Prado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Duelo tático Ceni x Abel será o mais interessante da "final" de domingo

Rogério Ceni orienta time do Flamengo durante partida no Maracanã - Alexandre Vidal/Flamengo
Rogério Ceni orienta time do Flamengo durante partida no Maracanã Imagem: Alexandre Vidal/Flamengo
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

20/02/2021 04h00

Abel Braga sabe que o time do Flamengo é mais qualificado tecnicamente; Rogério Ceni não ignora que o Internacional é uma equipe mais pronta, em termos de conjunto e vem embalada, pela possibilidade de conquistar o título já neste domingo, no Maracanã. O que cada um fará para a anular o melhor de seu adversário pode decidir a partida e, por extensão, o próprio campeonato.

Pelas características de Fla e Inter, é esperado um jogo no qual caberá ao rubro-negro carioca a maior posse de bola e ao colorado gaúcho uma forte marcação no meio-campo e o contra-ataque rápido. Mas, é bom lembrar, Abel surpreendeu o São Paulo de Fernando Diniz, em pleno Morumbi, com uma inesperada pressão na saída de bola, provocando os erros que facilitaram o caminho para a goleada de 5 a 1, em pleno Morumbi.

Repetiu o recurso no início da partida contra o Vasco, em São Januário, e abriu o placar, graças a essa blitz, com o polêmico gol de Rodrigo Dourado, que não pode ser analisado pelo VAR, por problemas de calibragem do software. Ceni, naturalmente, já analisou as duas partidas. E o que fará para neutralizar tal expediente?

Ao recuar William Arão para a zaga, abrindo espaço para a entrada de Diego no meio-campo titular, o técnico do Flamengo melhorou a saída de bola. Mas a inesperada contusão do antigo volante o obrigará a escalar Gustavo Henrique, que até pode melhorar o desempenho da zaga no jogo aéreo (uma das principais armas de seu adversário), mas comprometerá a capacidade de sair jogando, especialmente, sob pressão.

Problemas, porém, não são exclusividade de Ceni. Sem Moledo, contundido, e Cuesta, suspenso, Abel terá que jogar com um miolo de zaga reserva. E isso acontecerá logo contra o ataque mais poderoso do campeonato até agora. Como proteger sua defesa?

O grande duelo do jogo, entretanto, creio que vá acontecer mesmo entre as intermediárias. Com a volta de Patrick (na minha opinião, o melhor jogador do Internacional neste Brasileirão), Abel pode juntar Dourado, Edenílson, Praxedes (ou Lindoso, se quiser ser mais cauteloso) e o próprio Patrick, num cinturão que esbanja força física e objetividade.

Ceni, provalmente, entrará com Diego, Gérson, Arrascaeta e Éverton Ribeiro. Um quarteto mais talentoso, mas de menor poder de marcação. Por isso mesmo, há quem suspeite, no Ninho do Urubu, que Ceni possa até escalar João Gomes, como volante, deixando Diego no banco. Na teoria, faz todo o sentido. Mas diante do prestígio que o camisa 10 tem com o treinador, não creio que aconteça.

Técnica e taticamente, tem tudo para ser um jogão. E o que Abel e Ceni farão nesta "final" tão rara em campeonatos de pontos corridos é minha grande expectativa. O que não quer dizer que algumas grandes atuações individuais possam desequilibrar a balança e encaminhar a taça. A conferir.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado