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Renato Maurício Prado

Malandragem de Cuca foi castigada com o gol do Palmeiras, um justo campeão

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

30/01/2021 20h41

Brilhante em seu trabalho no Santos nesta temporada, que está prestes a se encerrar, o técnico Cuca foi traído pela própria "malandragem", ao tentar retardar o lateral que seria cobrado por Marcos Rocha, naquela que deveria ser praticamente a última jogada dos 90 minutos regulamentares de uma final da Libertadores sem sal (e até ali sem gols), no Maracanã.

Acabou merecidamente expulso pela atitude ridícula, aumentou o seu ato caricato ao pedir VAR para tentar mostrar que não fizera o que fez e, protagonista de um tremendo sururu em campo, desconcentrou completamente o seu time, que acabou levando o gol fatal, em seguida, numa cabeçada certeira de um herói improvável: o atacante Breno Lopes, contratado ao Juventude, depois de disputar a maior parte da série B desse ano. No lance, nas costas de Pará, o lateral santista saltou uma altura equivalente à de uma gilete no gramado. Deitada.

Veja o gol do título do Palmeiras, marcado por Breno Lopes

Impossível dizer, porém, que o título palmeirense não foi justo. Abençoado pela fortuna nos sorteios e cruzamentos da competição, é verdade, o Palmeiras fez a sua parte com louvor. Realizou a melhor campanha da fase de grupos (o Santos fez a segunda) e quando teve pela frente o primeiro adversário realmente de peso, o River Plate, eliminou-o com uma bela atuação na Argentina, que lhe garantiu a vaga na final, apesar do baita susto sofrido no Allianz Parque.

Na conquista palmeirense, muitos méritos para o técnico Abel Ferreira. Que pegou o bonde andando, colocou-o nos trilhos e, na sua primeira conquista na carreira, já igualou o maior título do mais famoso e badalado compatriota Jorge Jesus. Algo digno de registro: pela segunda vez consecutiva, um treinador português chega na América do Sul, no meio da competição, e conquista o seu mais importante campeonato. É mais um claro sinal de como as coisas andam taticamente atrasadas por aqui.

Digna de registro também a ironia do destino com Vanderlei Luxemburgo. Ele assumiu o Palmeiras ávido por provar, diante do Flamengo de Jorge Jesus, que não estava ultrapassado e poderia derrotá-lo, especialmente na Libertadores. No entanto, foi incapaz de fazer jogar essa equipe, agora campeã, acabou demitido e embora Jesus tenha ido embora, viu outro português substituí-lo no clube palmeirense e ganhar o título com que ele sonhava, mas se mostrou incapaz de conquistar.

A vitória do Palmeiras garante que os oito primeiros colocados do Brasileiro 2020 disputarão a Libertadores 2021, independentemente do resultado da Copa do Brasil (que decidirá com o Grêmio, após a disputa do Mundial, no Catar). Décimo colocado na tabela, o Santos precisará agora correr atrás do prejuízo, o que garantirá mais emoção nas seis rodadas derradeiras do campeonato nacional.

Fluminense (sétimo colocado), Ceará (oitavo), Corinthians (nono) e até o Red Bull Bragantino (décimo-primeiro) serão seus principais concorrentes. E o Grêmio, atual sexto colocado, que não bobeie, pois se não vencer a Copa do Brasil e continuar caindo de produção no Brasileiro, ainda pode acabar o ano chupando o dedo.

Cultura lamentável

O que Cuca fez hoje (tentar retardar a partida, afastando a bola de Marcos Rocha), infelizmente, nem sequer é novidade no nosso futebol. Renato Gaúcho e Mano Menezes já protagonizaram cenas semelhantes, interpondo-se entre o jogador que ia cobrar o lateral e o campo de forma deliberada e lamentável. Atitudes que não cabem mais no futebol profissional de hoje em dia. Merecem cartão vermelho e suspensão pesada para mostrar que os tempos mudaram.

Renato Maurício Prado