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Renato Mauricio Prado

Ceni é um desastre de proporções bíblicas. Nem de goleiro entende

Jorge Rodrigues/AGIF
Imagem: Jorge Rodrigues/AGIF
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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

10/01/2021 19h02

A estapafúrdia escalação do Flamengo para enfrentar o Ceará já era um forte indício de novo vexame a caminho do time dirigido (???) por Rogério Ceni no Campeonato Brasileiro:

Gustavo Henrique de volta à zaga, no lugar de Natan - por mais que o moleque tenha falhado no Fla-Flu, quantas vezes GH entregou o ouro, desde que foi contratado do Santos?

Gabigol no banco, com Éverton Ribeiro mantido como titular, embora o capitão não venha jogando bulhufas, desde que voltou da seleção? Com ele em campo, o rubro-negro atua com menos um. Atrapalha todos os ataques e ainda perde a bola armando contra-ataques do adversário.

César, goleiro de conhecidas limitações, no lugar de Hugo, que ainda tem algumas coisas a aprimorar, sim (como a saída nas bolas altas), mas é infinitamente melhor que o outro?

Tinha tudo pra dar errado. E deu. Diante de um Ceará muito bem armado por Guto Ferreira e que lhe foi superior no primeiro tempo, o placar adverso de 1 a 0 nem pode ser considerado injusto. No gol de Vina, em contra-ataque que acabou com um chute de fora da área, a zaga rubro-negra, como de hábito, estava completamente exposta.

E após o intervalo veio mais uma prova de que Rogério Ceni está mesmo perdido à frente do elenco milionário e multicampeão que tem nas mãos. Sua grande inovação (lançada já no segundo tempo do Fla-Flu) é tirar um zagueiro, recuar William Arão e colocar Diego em campo? Funcionou? Nem no Fla-Flu, nem diante do Ceará.

Assim como a troca de Isla por Vitinho (claro que foi pela lateral-direita que surgiu o segundo gol, que decretou a derrota). Bem como as entradas de Rodrigo Muniz e Renê, um capítulo à parte, que só pode ser visto como piada de mau gosto. Nem de cadeiras de rodas, Pedro e Filipe Luís devem sair para a entrada dessa dupla.

A verdade é que o Flamengo de Ceni é um desastre de proporções bíblicas. Não ganhou do Fortaleza, perdeu o Fla-Flu e agora foi batido pelo Ceará. Tivesse ganho os três jogos seria hoje líder do campeonato. Mas o time não tem mais nem sequer uma jogada ensaiada. Toca pra cá, toca pra lá, gira, recua, avança e... bola alta sobre a área. Uma, duas, três, quatro, cinco, dez, quinze e por aí vai. Todas inúteis. Tais como os escanteios e as faltas a partir da intermediária. É só "chuveirinho", como diziam os grandes locutores dos tempos de antanho. Já era velho, e pouco eficiente, naquela época, imagina agora.

O São Paulo perdeu, dando mais uma chance aos seus perseguidores de se aproximarem, mas o Flamengo já nem pode ser considerado um deles. Sob o comando de Ceni (se ele for mantido...), permanecer no G-4 será lucro. Mas com a bolinha murcha que está jogando é bom começar a torcer por G-8, pois o risco de ficar fora da Libertadores em 2021 passou a ser real.

Para finalizar o balanço desse novo desastre de Ceni à frente do campeão brasileiro e da Libertadores (além do Carioquinha, da Recopa Sul-Americana e da Supercopa do Brasil), é forçoso destacar a atuação dos três jogadores escolhidos pelo técnico para começar a partida, contrariando o bom-senso e um mínimo conhecimento de futebol.

Gustavo Henrique levou cartão amarelo, aos cinco minutos do primeiro tempo, em falta estúpida, no meio-campo, num lance sem perigo algum. Não marcou ninguém no primeiro gol do Ceará e perdeu praticamente todos os duelos que se dispôs a enfrentar - na maioria das vezes, em vez de dar o bote, prefere apenas recuar e ceder espaço para os adversários. Acabou substituído, no intervalo.

Éverton Ribeiro não fez rigorosamente nada de útil, enquanto esteve em campo. Se limitou a toques improdutivos para o lado e para trás e perdeu várias bolas, atrapalhando o ataque rubro-negro. Deu apenas um chute decente a gol, mas por cima da baliza. Foi substituído, aos 25 minutos do segundo tempo, por Gabigol, que deveria ter começado a partida em seu lugar. Sua gigantesca queda de produção deveria ser motivo de investigação no Ninho do Urubu. E o banco o seu destino até que recupere a forma perdida nos treinamentos com Tite.

Propositalmente, deixei César para o fim. Ele sofreu dois gols em chutes de fora da área. O primeiro, de Vina, era até mais difícil; o segundo, altamente defensável. E aí vem a pergunta que não quer calar, pra encerrar a conversa: se nem de goleiro, Rogério Ceni entende, como vai fazer o Flamengo voltar a jogar bem?