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Renato Maurício Prado

No Internacional, Abel Braga ensaia volta por cima sensacional

Abel Braga, técnico do Inter, resgatou rendimento do time  no Brasileiro - Ricardo Duarte/Inter
Abel Braga, técnico do Inter, resgatou rendimento do time no Brasileiro Imagem: Ricardo Duarte/Inter
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

09/01/2021 13h19

A arrancada do Internacional, sob o comando de Abel Braga (quatro vitórias consecutivas nos últimos cinco jogos, levando-o ao segundo lugar na tabela de classificação, a seis pontos do líder São Paulo), é o fato mais relevante das últimas rodadas do Brasileiro, nas quais candidatos teoricamente mais fortes, como o tricolor paulista, o Atlético Mineiro e o Flamengo, andaram patinando.

Campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes, pelo Inter, Abel ganhou também o Brasileiro, pelo Fluminense, mas desde a sua contratação pelo Flamengo, no início de 2019, seus trabalhos não vinham obtendo sucesso e seu prestígio começou a desabar. As passagens pelo Cruzeiro e pelo Vasco, então, foram especialmente ruins. Por isso, quando o Colorado o contratou para substituir Eduardo Coudet, houve uma grande surpresa.

Na metade colorada do Sul, entretanto, Abel é visto quase como um semideus, justamente, pelas grandes conquistas que capitaneou por lá. E, depois de um início irregular, que só fez aumentar a desconfiança em torno do seu trabalho, o time começou a se ajustar ao seu estilo pragmático, bem diferente do argentino que o antecedeu.

E os resultados, surpreendentemente para muitos, começaram a aparecer. Se serão suficientes para chegar ao título, não dá pra dizer. Na situação atual, na verdade, tudo depende do líder São Paulo que, com a vantagem que tem, só perde pra si próprio. Mas, como se viu diante do Red Bull Bragantino, a irregularidade ainda é uma ameaça ao time de Fernando Diniz - que demonstrou incrível e condenável descontrole à beira do gramado, xingando e humilhando Tchê Tchê, atitude que, certamente, não foi bem recebida pelo grupo.

Voltando a Abel, ele ainda é prudente ao falar sobre a possibilidade de ganhar mais um Brasileiro ("Chegar em primeiro ainda é um pouquinho complicado"), mas se mostra satisfeito com a evolução do trabalho ("Está pegando confiança, está indo legal. Tá sabendo sofrer. Sofremos um pouco contra o Palmeiras, sofremos muito contra o Botafogo, sofremos no primeiro tempo, contra o Ceará, mas vencemos"). Certo de que já tem o grupo na mão, a meta é ficar no G-4, o que garantirá vaga direta na Libertadores de 2021. Mas se o São Paulo bobear...

E aí pode se colocar uma questão, no mínimo, curiosa. O técnico campeão brasileiro ceder lugar a outro, contratado antes do término do campeonato, no caso o espanhol Miguel Angel Ramirez. Situação semelhante vivida, no âmbito internacional, pelo alemão Jupp Heynckes, que venceu a Tríplice Coroa alemã, na temporada 2012/2013, já sabendo que seria substituído por Pep Guardiola, vindo de um ano sabático, no qual fez questão de estudar alemão, justamente para dirigir o Bayern de Munique.

Seja como for, se conseguir completar o campeonato com uma reta final consistente, terminando com o Internacional no G-4, Abel, dado como acabado por muita gente, conseguirá uma volta por cima tão impressionante quanto inesperada. A conferir nas próximas rodadas.

Renato Maurício Prado