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Renato Maurício Prado

Um Fla-Flu pra definir o futuro do Flamengo no Brasileiro

Calegari, do Fluminense, disputa lance com Arrascaeta, do Flamengo, durante partida do Brasileirão - Thiago Ribeiro/AGIF
Calegari, do Fluminense, disputa lance com Arrascaeta, do Flamengo, durante partida do Brasileirão Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

04/01/2021 04h00

O mais charmoso clássico do futebol carioca nunca é fácil para nenhum dos dois. Já houve, claro, goleadas de parte a parte, mas normalmente é jogo duro, de prognóstico imprevisível, independentemente da situação que vivem os tradicionais rivais. Vale a velha história: "clássico é clássico e vice-versa", como imortalizou o folclórico Jardel.

No ano passado, o rubro-negro teve confortável vantagem sobre o tricolor. Jogaram seis vezes: o Flamengo venceu quatro, houve um empate e uma única vitória tricolor, no primeiro confronto de 2020, pela Taça Guanabara do Carioquinha, quando o time da Gávea era formado por jogadores sub-20. Todos os duelos, porém, foram muito parelhos, inclusive os dois que decidiram o título estadual, ainda sob o comando de Jorge Jesus.

Que o Flamengo atualmente é mais time nem se discute. Mas com o futebol irregular que vem jogando desde a saída do técnico português, a luta pelo título brasileiro tornou-se bem complicada. Daí a importância que pode ter este Fla-Flu. Ganhar é obrigação para o rubro-negro. Mas não é o bastante.

Para que possa voltar a ser visto como real candidato ao octacampeonato, o time de Rogério Ceni precisa vencer e convencer. Reeditar uma atuação daquelas que levou aos títulos do Brasileiro e da Libertadores, em 2019, e da Recopa Sul-Americana e da Supercopa do Brasil, em 2020. Época em que praticava um jogo altamente ofensivo, envolvente e encantador até para os torcedores rivais.

Exceção feita a Rafinha e Pablo Mari, todos os outros titulares estão disponíveis (Diego Alves não deve jogar, mas Hugo Neneca já provou seu valor). Ceni precisa fazê-los voltar a produzir, individualmente e coletivamente, um futebol à altura do elenco de alta qualidade que tem nas mãos. Agora, inclusive, com um reforço de peso, como Pedro. E com tempo para treinar, como passou a acontecer depois das traumáticas eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores.

A vitória e, sobretudo, uma atuação rubro-negra convincente neste Fla-Flu podem devolver ao Flamengo o moral e o embalo necessários para seguir na perseguição ao São Paulo e na luta cabeça a cabeça com o Atlético Mineiro. Se isto acontecer e o tricolor paulista tropeçar contra o Red Bull Bragantino (jogo teoricamente difícil), a reta final do Brasileiro se incendeia de vez. Caso o rubro-negro carioca não ganhe e o São Paulo vença, adeus às ilusões da maior torcida do país.

Mas se o Flamengo luta por suas derradeiras esperanças de título, o Fluminense também tem muito em jogo neste Fla-Flu. Em queda desde a saída de Odair Helmann (nos últimos cinco jogos, teve apenas uma vitória, dois empates e duas derrotas), já está em sétimo lugar na tabela, perseguido de perto pelo Santos e pelo Corinthians. Uma vaga na pré-Libertadores é o seu grande objetivo no campeonato, e os três pontos da partida da próxima quarta-feira o ajudariam muito a se manter nesta briga.

Marcão sabe que não continuará à frente do Fluminense na temporada de 2021. Rogério Ceni tem contrato até o fim do ano. Mas precisa fazer o Flamengo voltar a jogar bem. O Fla-Flu é um momento perfeito para isso.

Jogões à vista

Que belíssima partida foi Boca Juniors x River Plate, no sábado passado, na Bombonera! O empate em 2 a 2 mostrou que ambos serão adversários dificílimos para Santos e Palmeiras nos jogos do meio desta semana, pela Libertadores, ambos na Argentina.

O desgaste no "superclássico", porém, pode cobrar um preço alto na parte física das equipes argentinas, o que beneficiaria diretamente os brasileiros. A AFA, como a CBF, não está nem aí para os seus próprios clubes.

Seja como for, deveremos ter duas grandes partidas de futebol. Onde, creio eu, os contra-ataques serão as principais armas de Cuca e Abel Ferreira. Sebo nas canelas de Marinho e Soteldo, no Santos, e Rony e Luís Adriano, no Palmeiras, podem ajudar a trazer ótimos resultados contra os "hermanos".

Renato Maurício Prado