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Renato Maurício Prado

Maratona palmeirense leva a velho dilema: calça de veludo ou bunda de fora?

Abel Ferreira, durante a partida entre Palmeiras e América-MG - Fernando Moreno/AGIF
Abel Ferreira, durante a partida entre Palmeiras e América-MG Imagem: Fernando Moreno/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

02/01/2021 04h00

Curiosa, a situação do Palmeiras, neste início de 2021. Campeão do Paulistinha de 2020, ainda com Vanderlei Luxemburgo, é agora, sob o comando do português Abel Ferreira, o único time brasileiro "vivo" nas três principais competições que disputa na temporada. Mas ainda corre risco de acabar de mãos abanando, se não souber administrar bem o calendário insano que terá pela frente nos dois primeiros meses do ano.

Abençoado pela fortuna nos sorteios da Copa do Brasil e da Libertadores, o Palmeiras não enfrentou nenhum adversário realmente forte nas duas competições, até alcançar a final da primeira e a semifinal da segunda. Chegou a hora da verdade: o Grêmio, no principal torneio de mata-mata do calendário brasileiro, e o River Plate, na mais importante competição do continente. Ambos em jogos de ida e volta.

Enquanto no Brasileirão suas chances de título são praticamente nulas (está em sexto lugar, a 12 pontos do líder São Paulo, com um jogo a menos), a Copa do Brasil e a Libertadores (eventualmente, até o Mundial de clubes) podem lhe garantir o final de ano mais glorioso de sua história. O problema é não deixar que tudo isto lhe escorra por entre os dedos.

Após a demissão de Luxemburgo, o time palmeirense cresceu significativamente, já a partir dos primeiros jogos sob o comando de Andrei Cebola - prova cabal de que o trabalho do "Profexô" era péssimo. Tal ascensão se acentuou com a chegada do português Abel. Houve alguns momentos, no segundo semestre do ano passado em que o Palmeiras encantou, jogando um futebol altamente ofensivo, envolvente e eficiente. Digno, sim, de ganhar a Copa do Brasil e a Libertadores.

Mas uma série de contusões, um surto de Covid e o desgaste natural pelo acúmulo de jogos afetaram seu desempenho. O Palmeiras dos últimos jogos não tem convencido, nem mesmo quando vence. E a última vitória sobre o América Mineiro foi um bom exemplo disso.

Com uma pedreira monumental, pela Libertadores, já na próxima terça-feira (o River Plate, em Buenos Aires), o mais sensato, a partir de agora, parece ser poupar os melhores jogadores no Brasileiro - por exemplo, entre as duas semifinais, tem jogo contra o Sport, em Recife. O problema é que se o Palmeiras relaxar demais ainda pode sair do G-7 (atualmente é o sexto colocado), o que, no caso de não ganhar nem a Copa do Brasil, nem a Libertadores, equivaleria a ficar fora da principal competição do continente neste 2021.

Acho improvável que aconteça. Mas para que a temporada seja considerada gloriosa, o Verdão precisa ganhar ao menos um dos três títulos que ainda disputa. Idealmente, claro, a Libertadores. Mas uma Copa do Brasil já seria suficiente para salvar o ano.

Vejamos como Abel Ferreira administrará os próximos dois meses. Se conquistar a Copa do Brasil e a Libertadores, alcançará feito bem próximo do que fez seu compatriota Jorge Jesus, acumulando o Brasileiro e a Libertadores. E ainda poderá até superá-lo, se vencer o Mundial, contra o todo poderoso Bayern de Munique.

Façam suas apostas. É um daqueles momentos nos quais, nos meus tempos de garoto, costumava-se dizer: é calça de veludo, ou bunda de fora. Como acabará esta temporada do Palmeiras? Se vira aí, ó pá!

Renato Maurício Prado