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Renato Maurício Prado

Erros de Hamilton e Djokovic possibilitam boas novidades no esporte

Novak Djokovic e a juíza que foi atingida por uma bolada no US Open - Al Bello/Getty Images
Novak Djokovic e a juíza que foi atingida por uma bolada no US Open Imagem: Al Bello/Getty Images
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

07/09/2020 04h00

Lewis Hamilton e Novak Djokovic são dois dos maiores nomes do esporte em todos os tempos. O piloto inglês está prestes a bater o recorde de vitórias de Michael Schumacher na Fórmula 1 e igualar também o heptacampeonato mundial do alemão. Já o tenista sérvio venceu cinco dos últimos sete torneios do Grand Slam, inclusive o da Austrália, este ano, em que estava invicto após 24 jogos disputados - caminhava a passos largos para chegar ao décimo-oitavo título de Majors neste US Open. O que eles tiveram em comum no domingo passado? Cometeram erros grosseiros.

Para Lewis, que liderava o GP da Itália, em Monza, com extrema facilidade, foi penalizado com um "stop and go" de 10 segundos por ter entrado nos boxes quando eles ainda não estavam abertos, após a entrada do carro de segurança, o que custou aquela que seria a sua 90ª vitória na categoria (Schumacher tem 91). Para Novak, a bolada irresponsável que acertou na juíza de linha, ainda que não intencional, provocou sua desclassificação em um torneio que lhe parecia à feição. Os erros surpreendentes dos dois supercampeões, porém, trouxeram boas notícias para a Fórmula 1 e o tênis.

Nas pistas, após 24 anos, um francês voltou a vencer um Grande Prêmio. A narração da TV francesa da última volta e da bandeirada para o jovem Pierre Gasly, da Alpha Tauri, é de emocionar o mais duro dos corações. Só faltou tocar a Marselhesa (posteriormente, executada no pódio), enquanto o locutor, alucinado, enumerava, um a um, todos os pilotos da França que já ganharam no circo. Sensacional.

Nas quadras, com a eliminação de Djokovic, o tênis, enfim, verá um novo campeão de Grand Slam, após 15 anos de domínio avassalador do trio Federer, Nadal e Djokovic - quebrado somente por Wawrinka e Murray, três vezes cada um, e Del Potro e Cilic, uma cada. Roger, Rafa e Nole têm, juntos, 76 títulos de GS!

Neste US Open, Federer, Nadal, Wawrinka e Del Potro nem se inscreveram, Murray e Cilic foram derrotados cedo, e Nole acabou desclassificado pela estúpida reação de jogar a bola para trás, irritado por uma quebra de serviço, após ter desperdiçado três set points no game anterior. Detalhe: até ali, vinha jogando estupendamente bem. Seu ato destemperado machucou uma juíza de linha, e a eliminação foi inevitável.

No fim das contas, Lewis e Novak reconheceram seus erros. O do piloto, muito menos grave, foi assumido sem maiores traumas: "Parabéns ao Pierre [Gasly], é um resultado fantástico para ele, e [é muito bom] vê-lo se recuperar e crescer. Não era para ser para mim hoje, mas o que não te mata te torna mais forte. Não fizemos um bom trabalho com o pit stop e me responsabilizo por não ter visto as sinalizações", disse o piloto, à "Sky Sports". "Estou muito feliz por somar pontos após estar a mais de 20 segundos de distância do último pelotão", acrescentou.

Já o sérvio, que se recusou a dar entrevistas após o incidente, se pronunciou mais tarde, em comunicado oficial em seu site: "Toda a situação me deixou muito chateado e vazio. Fui ver como estava a juíza de linha, e o torneio me disse que ela estava bem, graças a Deus. Lamento profundamente por ter causado tanto estresse. Não foi intencional. Foi tão errado. Diante da minha desclassificação, preciso rever e voltar ao trabalhar no meu desapontamento para levar isso tudo como uma lição para meu crescimento e evolução como jogador e ser humano. Peço desculpas ao torneio do US Open e todos associados pelo meu comportamento. Sou muito grato ao meu time e família que me dão suporte, meus fãs que sempre estão comigo. Obrigado e lamento muito", disse o sérvio.

Lewis Hamilton terá, já no próximo domingo, a oportunidade para vencer de novo e esquecer a falha em Monza. Apesar dela, seu caminho para o sétimo título está muito bem encaminhado. Guiando um carro excepcional (a Mercedes é absurdamente superior aos rivais), tem 47 pontos de vantagem sobre seu companheiro de equipe, o inofensivo Valteri Botas.

Novak Djokovic precisará esperar um pouco mais, até o dia 21 de setembro, quando começa Roland Garros (o último GS deste ano atípico). O problema é que este é o terreno predileto de um de seus maiores adversários: o espanhol Rafael Nadal, que estará em busca de seu 13º título no saibro parisiense.

A bolada na juíza custou bem mais caro que o erro na hora do pit stop.

O grande intruso

Após oito rodadas (ainda que alguns times tenham jogado apenas sete vezes), os elencos mais fortes começam a prevalecer na tabela de classificação do Campeonato Brasileiro. Internacional, São Paulo, Atlético Mineiro, Flamengo e Palmeiras ocupam cinco das seis primeiras posições. Há entre eles, porém, um "intruso", uma surpresa e tanto: o Vasco.

Que, ao contrário de seus companheiros no topo da tabela, não possui um elenco milionário, nem vive uma situação financeira tranquila - a muito custo luta para manter os salários em dia. Não sei se terá condições de se manter entre os primeiros, mas o que fez até agora é surpreendente e digno de elogios. O trabalho do técnico Ramon impressiona, bem como a capacidade de fazer gols do argentino Germán Cano.

A maior decepção

Se o Vasco surpreende positivamente, o Grêmio, que se esperava fosse lutar pelas primeiras posições, é a maior decepção desse início de campeonato. Nos últimos cinco jogos, empatou quatro e perdeu um. Tem apenas uma vitória em oito rodadas. A saída de Cebolinha certamente contribui para a queda de rendimento, mas as fracas atuações de bons jogadores como Jean Pyerre e Matheus Henrique também não ajudam. Além de apostas extremamente equivocadas como a de Thiago Neves. Renato garante que não há crise. Mas também não há um bom futebol, ao menos até agora.

Na corda bamba

Thiago Nunes continua a não convencer no Corinthians. Jogando em casa, escapou da derrota para o Botafogo na bacia das almas. Foi dominado na maior parte do tempo. O clássico contra o Palmeiras é mais uma prova de fogo para o treinador. Já se fala em Mano Menezes, nos bastidores, e Andrés Sanchez ainda disse a Benjamim Back, no Fox Sports, que contrataria Rogério Ceni, sem problemas.

Carinho com a dupla

É óbvio que o calendário alucinado deste ano obriga Domènec Torrent a rodar o elenco rubro-negro. Não há nada de errado nisso. Mas, a menos que sofra um desgaste muscular evidente, Gabigol precisa ser escalado sempre que possível, para recuperar o ritmo de jogo perdido durante a paralisação causada pela pandemia. Bruno Henrique é outro que, tão logo esteja curado, deve voltar ao time. Assim como Arrascaeta e Éverton Ribeiro já têm demonstrado nos últimos jogos, eles são fundamentais para que o Flamengo recupere o nível de atuações de 2019 e início de 2020.

O salvador

A volta de Gabriel Véron deu nova vida ao ataque do Palmeiras e foi decisiva na virada sobre o Red Bull Bragantino. Ele pode ser o salvador desse mal treinado time de Vanderlei Luxemburgo. Joga muito o garoto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado